A dor do vestibular

TEXTO DE OPINIÃO

Érica Jênifer (*)

vestibularDísponível em: <http://www.colegioevolucaopb.com.br/dave/wp-content/uploads/2012/08/arte_vestibular-seriado_620x465.jpg> Acesso em: 03/11/2016.

Com a universidade sendo uma grande parte da minha vida, é impossível não ficar nostálgica nessa época do ano quando os vestibulares acontecem. Esta época do ano me faz lembrar como cheguei à Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Há dois anos, nem sequer queria fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), já estava satisfeita com a aprovação no vestibular de uma universidade privada e certa de que jamais conseguiria entrar numa federal. Não sabia nada de química, física, nem biologia e também nunca fui boa em matemática. O restante entendia bem, mas de tão nervosa que ficava em não compreender as outras matérias, mal conseguia estudar. Foi um ano horrível, com certeza o pior da minha vida.

A pressão vem de todos os lados. No colégio cada prova recebida não é mais só a nota do boletim no fim do ano, é aquilo que mostra o que você vai ou não acertar no vestibular, e cada resultado de simulado é uma amostra de quantas pessoas vão conseguir ficar à sua frente na lista dos aprovados.

De casa vem a cobrança da família, pais que muitas vezes querem até impor o próprio interesse na formação do filho; aquela prima que passou de primeira em medicina na Federal; o primo que só aparece em datas festivas porque passou numa estadual de renome em outro estado; ou a irmã mais velha que faz questão de falar como tirava notas melhores que você no terceirão.

E a pior de todas: a pressão que vem de si mesmo. “Não posso, tenho que estudar”, vira uma das frases mais corriqueiras na vida de um vestibulando. Querer ler um livro aleatório, mas não poder, porque consome tempo demais e, além disso, os da lista da federal têm que vir primeiro. Ver os amigos fora do horário do colégio só se for em grupo de estudos, e aquela série que estava acompanhando vai ficar pro ano que vem, afinal, quantos exercícios dá para resolver a cada 40 minutos?

Tudo isso muitas vezes combinado com a dúvida do que realmente querer estudar. Procurando no google “teste vocacional” todos os resultados da primeira página foram acessados e mesmo assim não encontrei minha vocação – teve até sugestão para eu virar marinheira, oi? –, o  guia do estudante, com as definições de cursos, virou o site mais procurado do meu navegador, e ainda assim acabei escolhendo o curso apenas na hora da inscrição do vestibular.

Tenho consciência da sorte que tive em relação à grande quantidade de vestibulandos, que se sacrificam o ano inteiro e mesmo assim não conseguem passar, ou que conseguem entrar em uma universidade privada, mas não têm condições para pagar as mensalidades. Aqueles que estão há anos tentando entrar em um curso ou instituição específicos, ou os que vão de um curso a outro em cada semestre, sem encontrar  o certo.

Resumindo, sobre aquela história de “entrar na universidade é a parte mais fácil, difícil é sair”, digo que não é bem assim, difícil mesmo é pensar que uma prova vai definir sua vida, sem chance de refazê-la em dp.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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