95 anos serão suficientes?

TEXTO DE OPINIÃO

Ligia Henemann (*)

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Que a desigualdade de gênero está presente no cotidiano não é novidade: as mulheres sofrem constantemente com salários baixos e pouca representatividade política, além de outros fatores que expõem a sociedade machista em que vivemos.

Recorrentemente, são divulgadas notícias que apenas reafirmam essa desigualdade como, por exemplo, o caso do menino de 13 anos que “não lavaria a louça, por ser coisa de mulher” ou até casos mais graves como o da menina, também de 13 anos, encontrada morta na casa do vizinho e da mulher brutalmente espancada pelo pastor e ex-marido.

Em uma pesquisa de igualdade de gênero, realizada pelo Fórum Econômico Mundial, divulgada nesta quarta-feira (26/10), o Brasil aparece na 79ª posição, mostrando que ainda existe uma grande diferença no tratamento e oportunidades para homens e mulheres no país.

Entretanto, o estudo também apresenta que nos últimos anos o Brasil subiu sua pontuação para 0.687, sendo 1 o melhor desempenho possível.  Se o país continuar no ritmo em que se encontra no momento, serão necessários 95 anos para que se atinja a igualdade plena de gêneros.

Como o tema de desigualdade de gênero ainda é considerado pouco importante para muitas pessoas, logo que a notícia foi divulgada nas redes sociais comentários negativos começaram a surgir, me fazendo refletir se o período de 95 anos, previsto pelo fórum, será suficiente para que se mudem as percepções de igualdade presentes hoje.

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A imagem acima é um clássico exemplo dos problemas relacionados ao tema que encontramos por aqui. Muitos ainda pensam que não existe desigualdade, o que de certa forma complica ainda mais as tentativas de resolução e/ou diminuição das diferenças entre homens e mulheres. O fato de termos uma constituição considerada a mais democrática da história do país não nos faz na prática uma sociedade igualitária.

A mudança no modo de pensar, com certeza, será um dos principais elementos-chave para que transformações aconteçam. Será fundamental que o patriarcalismo seja excluído, aos poucos, dos pensamentos da grande massa para que as crianças não sejam afetadas por ele também, evitando que nesses 95 anos ao invés de progredir soframos um retrocesso quando se trata de igualdade de gênero.

Outro fator importante é a aceitar que as mulheres já são donas de seus próprios narizes e livres para estabelecerem seus objetivos e correrem atrás deles, além de possuírem capacidade, assim como os homens, de atingir cargos mais altos e com melhores remunerações e exercerem seus direitos sem serem constantemente menosprezadas. Quem sabe por esse caminho sejamos capazes de em 95 anos chegarmos a um estado de igualdade plena entre homens e mulheres.

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