Passa de 800 o número de escolas ocupadas no Paraná

Tariana Zacariotti (*)

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Fachada do Colégio Estadual do Paraná. Foto: Gabriel Dietrich

Alunos e professores das escolas e universidades do Paraná estão unidos contra a  PEC 241, que congela os gastos públicos por longos 20 anos, e a MP 746, que estabelece a reforma do Ensino Médio. Os professores estão em greve desde segunda (17), e os alunos estão ocupando as escolas desde o dia 3 de outubro, tendo o Colégio Estadual Arnaldo Jansen, em São José dos Pinhais, como primeiro a entrar no movimento.

Segundo o relato do professor Heráclio Zielinski, do Colégio Estadual João Afonso de Camargo, em Mandirituba, “de maneira histórica milhares de jovens trocaram o conforto de suas casas por alojamentos improvisados em salas de aula, fazendo sua própria alimentação, limpezas, pinturas e reformas gerais nos prédios das escolas. Além disso, em muitos colégios vem se desenvolvendo atividades educacionais, culturais e esportivas. Professores e alunos vêm atuando juntos em busca de um aprendizado vívido pautado na troca, na doação e na colaboratividade. São realizados debates sobre temas contemporâneos, exibição filmes, discutidas formas de organização para diferentes atividades”.

De acordo com o site OcupaParana, já passam de 800 escolas ocupadas, e um total de 12 universidades; esses números estão crescendo de maneira significativa a cada dia. As ocupações contam com oficinas artísticas, shows musicais e atividades de entretenimento. Além disso estão acontecendo diariamente rodas de conversa, palestras e aulas ministradas por voluntários.

O Grupo de Dança Contemporânea do Colégio Estadual do Paraná, está arrecadando alimentos e produtos de higiene pessoal durante suas apresentações, para repassar para os demais colégios ocupados na região de Curitiba. Uma das preocupações dos participantes no momento são as eleições do domingo (30), pois os colégios seriam usados como locais de votação, e a forma com que a polícia pode vir a agir diante disso é algo que deixa os alunos, pais e professores amedrontados.

De acordo com o professor Heráclio: “A luta é legítima e necessária, pois a nova visão de educação do governo brasileiro retrocede ideologicamente em mais de 20 anos, tendo como parâmetro a Lei de Diretrizes e Bases da Educação que assegurava o ensino de 11 matérias no EnsinoMmédio. A proposta atual prevê apenas três matérias (Português, Matemática e Inglês), e reduz a carga horária em aproximadamente 50%. As ocupações nos ensinam que a juventude está viva e atuante, que permanece lutando pelos seus direitos básicos e que não vai desistir de construir um Brasil mais justo e mais humano para todos”.

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No portão de uma escola ocupada. Foto: Gabriel Dietrich

(*)Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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