Curitiba entre a inovação e a decepção

TEXTO DE OPINIÃO

Beatriz Galindo (*)

Desde que eu me conheço por gente sempre fui acostumada a pegar muitos ônibus, e em momento algum lidei com isso como se fosse um problema. Nada era mais divertido do que sentar na última fileira de cadeiras de um ônibus e chacolhar até o momento em que minha mãe me dizia para apertar o botão  porque logo a gente ia descer.

E meu amor por andar de ônibus continuou assim até eu me ver obrigada a, todas as manhãs, entrar em um expresso lotado e me espremer entre os estudantes e trabalhadores que não têm outras opções de transporte, para então descer em uma das tão conceituadas estações tubo de Curitiba.

estacoes-tubo

Símbolos da inovação e ícones do urbanismo curitibano, as estações tubo foram implementadas na década de 1990, durante o governo Jaime Lerner para atender especialmente às linhas expresso e direta (ligeirinho). E no papel, assim como nos domingos e feriados, as estações podem realmente significar praticidade e impressionar.

Apesar disso, durante a semana, as tão admiráveis estações tubo viram amostras da educação, ou falta de, por parte das muitas das pessoas que as utilizam. É compreensível que, após um longo dia de trabalho, ou até mesmo minutos após acordar, os passageiros não se sintam à vontade para serem espremidos “catraca afora” de uma estação.

Fácil é, também, entender o lado dos cobradores que com turnos de 6h, têm apenas um intervalo de 15 minutos para ir ao banheiro, já que dentro das estações tubo não existem sanitários. Além disso, os cobradores muitas vezes passam frio ou calor por falta de vestimentas adequadas, visto que trabalham em um local aberto sem nenhuma condição adequada de estrutura.

Os ícones do urbanismo transformaram-se em ícones do incômodo. Durante seus mais de 20 anos de funcionamento, passaram de símbolos da inovação para símbolos da falta de educação dos passageiros. E, na minha memória, o que era símbolo de diversão passou a ser símbolo de desconforto, de nervoso, e de pessoas amontoadas se acotovelando, tentando, sem sucesso, passar de uma ponta a outra da estação para conseguir sua conexão.

Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR (*)

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