As flores paranaenses da Primavera Secundarista

Isabelly Martins(*)

O movimento de ocupação de colégios estaduais do Paraná, que vem acontecendo como forma de protesto pela Medida Provisória 746, já atingiu todas as regiões do estado e vem aumentando o número de colégios aderentes à causa a cada dia. As ocupações, que começaram na noite do dia 3 de outubro, no Colégio Estadual Arnaldo Jansen, em São José dos Pinhais, tomaram proporções estaduais rapidamente e afetam até então, a vida de mais de 170 mil estudantes no estado.

A MEDIDA PROVISÓRIA

A Medida Provisória 746/2016 foi lançada pelo Governo Federal no dia 22 de setembro, altera artigos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e tem como proposta principal a reforma do Ensino Médio. Dentre os destaques desta reforma estão o aumento da carga horária, de 800 horas anuais para 1200 horas (sem prazo específico para implementação). Esta determinação é apontada como impraticável devido à falta de estrutura nos colégios estaduais. Outra mudança é a falta de obrigatoriedade de matérias como Filosofia e Sociologia durante os três anos do Ensino Médio.

Acompanhe na tabela a seguir o antes e o depois, em caso da implementação efetiva da MP:

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Fonte: Arte/G1

AS OCUPAÇÕES

O movimento de ocupação de escolas, que possui âmbito nacional, foi iniciado no estado do Paraná e vem sendo apelidado de Primavera Secundarista. Segundo a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), em 10 dias de movimento, mais de 280 escolas foram ocupadas em Todo Brasil, além da realização de uma grande quantidade de atos e protestos.

O estado do Paraná, além de precursor do movimento, representa a maior porcentagem de participação. Segundo o informe lançado no site da UBES, atualizado hoje (13/10) às 14h30 (http://migre.me/veoxO), 283 colégios já foram ocupados até então, sendo 33 deles nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Pernambuco, Alagoas e Espírito Santo, e 250 no estado do Paraná.

Pedagoga Atila Costa, do Colégio Estadual Zilda Arns, de Guaratuba, conta como ocorreu o processo de ocupação da instituição: “Nos dias que precederam a ocupação, já estava acontecendo uma movimentação e discussão entre os grêmios estudantis dos colégios estaduais da cidade. A ideia inicial do grêmio era ocupar o colégio só no dia 17, mas devido ao número de escolas ocupadas em tão pouco tempo, eles decidiram adiantar o processo.”

Segundo Atila, os designados “líderes” do movimento de ocupação foram procurar a direção do colégio na manhã do dia 7 (sexta-feira), para que fosse feita a comunicação das intenções do grupo, que recebeu total respaldo e apoio por parte dos servidores. “Na hora do intervalo todos os alunos do Ensino Médio foram reunidos no hall de entrada do colégio para que fosse feita uma assembleia e decidir se seria ou não realizada a ocupação […] Fora uma grande parte dos alunos do terceiro ano, e alguns outros do primeiro e do segundo, a grande maioria votou a favor da ocupação.”

escola-ocupadaAssembleia realizada pelos alunos do C.E. Zilda Arns. Foto: Atila Costa

O GOVERNO DO ESTADO

O governador do estado com o maior número de colégios ocupados do País, Beto Richa se pronunciou sobre o assunto atacando os movimentos sindicais de esquerda, alegando que estão utilizando os estudantes paranaenses “numa perfeita doutrinação”.

O político, envolvido em inúmeras polêmicas e que tem seu governo conhecido pela desconstrução da educação no Paraná, afirma que os estudantes envolvidos nos movimentos de ocupação não sabem por que estão protestando. “Eu peço aos pais e mães que cuidem dos seus filhos nas escolas, que conversem com seus filhos: ‘meu filho, o que está acontecendo? Meu filho, por que você está manifestando? Quem pediu para você fazer isso? Em nome do que, de que causa?’ É uma doutrinação. Estão formando cidadãos, amanhã, que vão defender os grupos extremistas, grupos de esquerda. E quem deve receber ou passar a formação dos seus filhos são os pais e as mães”, disse o governador.

O secretário jurídico do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), Mario Sérgio Ferreira de Souza, nega qualquer envolvimento da entidade nos movimentos de ocupação que vem ocorrendo no estado e diz: “Os alunos nos procuraram perguntando se a gente apoiaria e como poderia apoiar, e nós apoiamos. É fundamental que ele (Beto Richa), enquanto representante máximo, eleito pela população paranaense, mantenha o equilíbrio, negocie. O papel do governador é negociar, conversar, saber o que está acontecendo. Não é fazer acusações infundadas”, disse o sindicalista. Representantes do PT e da CUT também negam qualquer tipo de envolvimento com o movimento dos estudantes.

No dia 10 de outubro, o governo do estado, por meio da Secretaria de Educação do Paraná (SEEP), deu início a um pedido de reintegração de posse com objetivo de reverter as ocupações das escolas na cidade de Ponta Grossa. De acordo com o governo, a mesma medida deverá ser tomada em todo o estado. Até  esta quinta-feira, a Justiça já negou um pedido de reintegração feita para a cidade de Londrina e segue analisando os pedidos referentes às demais regiões.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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