Devem as humanidades ter espaço no currículo do Ensino Médio?

TEXTO DE OPINIÃO

Tiago Correia (*)

“Ginástica para o corpo e lógos para a alma” são estas condições para uma boa educação estabelecidas pelo filósofo Platão em seu livro República. Mais de 2400 anos depois, estamos nós no Brasil discutindo o mesmo tema, infelizmente em sentido inverso daquele proposto pelo sábio grego.

Pois a Medida Provisória (MP) 746 desobriga os currículos de Ensino Médio de conterem as disciplinas de Educação Física e Artes e colocam na berlinda a existência de disciplinas como Filosofia e Sociologia, ou seja, caminhamos para uma educação extremante técnica, que nos vai ensinar a fazer e pouco a pensar sobre o que estamos fazendo.

É fato que as humanidades e as artes ou o esporte não formam para o mercado de trabalho em sentido técnico, mas podem formar as pessoas para vida, podem nos fazer mais sensíveis e empáticos, proporcionar que, ao menos no tempo da reflexão, deixemos nossos dogmas de lado é olhemos o mundo a partir de outras visões.

É claro que uma “visão crítica” da realidade não é exclusividade das humanidades, mas as humanidades são o lugar do questionar, do pensar sobre, do construir argumentos e de procurar as respostas e a forma de responder a uma série de problemas, que às vezes achamos que são exclusividades do nosso tempo, mas na verdade acompanham a humanidade desde que o ser humano é ser humano.

Entendemos que privar os alunos do Ensino Médio desse espaço de reflexão que advém das humanidades e das artes ou dos benefícios do esporte são um erro. E erros em educação não são facilmente corrigíveis e podem comprometer a toda uma geração.

Desta forma, a nós resta olhar para MP 746 em uma visão hermenêutica inversa a da regra cristã que afirma “a letra mata, mas o espirito vivifica”, uma vez que o texto pode parecer vivificante, mas sua operacionalização pode ser mortífera. No caso específico da presença das humanidades e da educação física o que vai acontecer fica a depender do estabelecido pela Base Nacional Comum Curricular, ou seja, aí se encontra nosso problema se a medida for aprovada pelo Congresso Nacional.

* Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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