Retrocesso ou aposta?

TEXTO DE OPINIÃO

Igor Pagliuso (*)

O povo curitibano foi às urnas no último domingo (02) para eleger o prefeito da cidade para os próximos quatro anos. Durante toda a campanha política, as pesquisas apontavam o ex-prefeito (1993 a 1996) Rafael Greca (PMN) na frente de seus concorrentes, com algumas variações, principalmente nos últimos dias que antecederam as eleições, quando candidato teve uma queda nas pesquisas.

Muito se esperava que o resultado das urnas levasse para o segundo turno o atual prefeito, Gustavo Fruet (PDT), e o líder das pesquisas Rafael Greca. Porém, o final da apuração apresentou um resultado surpreendente, deixando de fora o prefeito Fruet e colocando na disputa do segundo turno, com Rafael Greca, o candidato do PSD e atual deputado estadual, Ney Leprevost.

As pesquisas indicavam que Leprevost havia tido uma subida, de 6% para 15%, mas nada que tirasse a segurança do atual prefeito em disputar a reeleição. O resultado colocando deputado no segundo turno, com 23,66% dos votos válidos, demonstra a insatisfação de boa parte da cidade de Curitiba com a administração de Gustavo Fruet, que ficou em terceiro lugar com 20,03% dos votos válidos. Seria a aposta em algo diferente ou apenas a falta de um candidato que representasse o povo? Francamente, o atual prefeito deu um tiro no pé atacando Rafael Greca.

Enquanto isso, Greca nadava de braçada no primeiro lugar e, mesmo com uma queda nas pesquisas, manteve boa vantagem sobre seus adversários e liderou o primeiro turno com 38,38% dos votos válidos. Será mesmo que esses candidatos representam o que Curitiba precisa? Vendo os comentários nas redes sociais, e em conversa com os eleitores, me parece que a insatisfação é grande e que tempos nebulosos estão por vir.

Vale relembrar que Greca tem associação com Beto Richa, aquele mesmo dos ataques contra os professores no dia 29 de abril de 2015, e que sua presença na administração de Greca, em caso de uma eleição, é quase certeira. Por outro lado, Ney Leprevost tem uma taxa de rejeição muito baixa e tem sérias chances de vencer no segundo turno. Resta esperar o desenvolvimento da campanha até o dia 30 de outubro para avaliar mais uma vez os candidatos.

É difícil prever o que acontecerá com a cidade nos próximos anos, o discurso de ambos os candidatos diz muito em resgatar Curitiba, mas será que são capazes? A insatisfação da população é grande, houve mais de 210 mil abstenções (ou 16% dos votantes), e mais de 140 mil eleitores optaram por branco e nulo, um número bastante expressivo.

O que fica explícito é a mesmice de sempre: são quatro anos de reclamação e na hora da votação são os mesmos candidatos. Alias, votar significa que você está escolhendo aquilo que você quer para o seu futuro e para escolher seu futuro é necessário conhecer o passado: será que o povo de Curitiba conhece o passado de Greca e Leprevost? Não adianta reclamar depois que nada muda e nada sai do lugar, se na hora da decisão apostam na mesmice.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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