Eu e o branding. O branding e eu

TEXTO DE OPINIÃO

Cristiano Sousa (*)

Outro dia estava pensando sobre o meu nome: Cristiano. Será que meus pais sabiam o significado quando o escolheram ou, simplesmente, optaram por um nome bonitinho e disseram: “meu filho vai se chamar Cristiano”? Particularmente, acredito que se escolhe o nome de um filho pelo que se deseja que ele se torne no futuro.

É possível buscar na internet e nos dicionários significados dos mais variados para garantir personalidade, assim como é comum encontrar nomes de pessoas, que representam uma cópia fiel do pai ou do avô. Não me deixam mentir os vários juniores, netos e netas espalhados mundo afora. Nesse processo, uma coisa é certa: personalidade e reputação são essenciais para definir um nome. Concorda?

Pense comigo! Cada vez mais, marcas são introduzidas no mercado com nomes ou sobrenomes de seus proprietários. Fulano Advogados e AssociadosSalão de Beleza da CiclanaBeltrano Cabelereiro ou Fulana Floricultura. Esses são alguns exemplos presentes no cotidiano de qualquer cidadão urbano.

Antes de expressar a nomenclatura de uma marca para uma organização ou um produto é fundamental saber como essa assinatura será assimilada pelo mercado. Ora, o senhor Fulano pode ser um homem arrogante, briguento ou mulherengo, podendo passar essa personalidade para a aquela imagem estampada na fachada do estabelecimento.

branding

Para David Aaker, professor emérito de Marketing da Haas School of Business, na Universidade da Califórnia, em Berkeley, conhecido mundialmente por ter desenvolvido um modelo de cálculo do Brand Equity (termo mercadológico, que significa o valor adicional que se atribui a algum produto ou serviço), a perspectiva da marca sugere uma identidade mais rica e interessante, que aquela baseada nos atributos do produto. Tal como uma pessoa, uma marca pode ser percebida como superior, competente, confiável, divertida, engraçada, formal ou jovem.

Pode parecer clichê para alguns, para outros uma besteira, mas é válido atentar para a importância de um bom nome para a composição de uma marca, pois a nomenclatura compreende uma designação usada na identificação e diferenciação das organizações inseridas em um ecossistema. O nome pode ser algo abstrato, informativo, descritivo ou sugestivo, podendo ser uma palavra já existente ou um novo termo. Todavia, é imprescindível entender que o esforço dedicado ao processo de escolha desse nome para uma marca X ou Y, deve ser o mesmo presente no processo de definição da ideia, de elaboração do plano de negócio e de seleção do mercado.

Os designs das embalagens podem ser atualizados, assim como slogans e campanhas publicitárias alterados. Até mesmo a composição de um produto ou os processos de um serviço podem ser modificados, porém o nome da marca permanecerá o mesmo. Ou seja, do ponto de vista mercadológico, o que conta, na verdade, são os efeitos que esses nomes são capazes de gerar no processo de comunicação.

Ah! Até hoje não sei se meus pais sabiam, mas meu nome, Cristiano, é de origem grega, é derivado de Cristo e significa Ungido do Senhor ou Separado para Deus. Isso quer dizer que cada vez que alguém se dirige a mim, acaba proferindo uma palavra de benção (Olá, Ungido do Senhor! Tchau, Separado para Deus). E apesar do meu ceticismo, isso me faz pensar no diferencial competitivo, pois em um mundo com diversos segmentos de mercado e nichos de negócio, como o que vivemos na atualidade, nem todos são ou serão o Escolhido (leia-se consumido).

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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