Musical ‘Nada Será Como Antes’ apresentado no “quintal” do Palácio Iguaçu

TEXTO DE OPINIÃO

Tarcila Garcia (*)

No último sábado (17), os curitibanos prestigiaram um dos mais expoentes artistas brasileiros, atuante há mais de 50 anos na música. Com patrocínio da Rede, o espetáculo Milton Nascimento – Nada Será Como Antes foi apresentado por um grupo de atores e cantores, que interpretaram as travessias do músico, que continua marcando diversas gerações.
milton-plateia“Quintal” do Palácio, de dia. Espetáculo com patrocínio da Rede. Foto: Tarcila Garcia

Sob uma lua cheia cintilante, a Praça Nossa Senhora de Salete foi palco desse musical que, aparentemente, por pouco mais de uma hora, conseguiu dissociar aquele local, que já foi cenário de um horrendo massacre contra servidores públicos, no ano de 2015.

Em frente ao Palácio Iguaçu, sede do Poder Executivo Estadual, o evento começou a ser encenado ao cair da noite, acompanhado do canto desesperado de quero-queros atentos a incomum movimentação em torno de seus ninhos.

No primeiro ato, com o medley Nos Bailes da Vida, era perceptível na plateia, de faixa etária diversificada, que esse musical agradaria a todos os espectadores, pois muitas palmas eram ouvidas. Assim como, seguiu-se ao final de todas as canções interpretadas. No entanto, nenhuma comoção foi despertada na audiência, atenta à encenação em palco, que fazia as vezes de musical da Broadway e filme da Disney.

capa

Talvez, por opção da polêmica direção, referência nacional no teatro musical, a história de vida e trajetórias não são mais interessantes que apenas o repertório interpretado por Milton Nascimento. Contudo, esteticamente, a Minas Gerais que abraçou o carioca Bituca (apelido de infância de Milton) esteve presente na cenografia e figurino do espetáculo.

Com esses ares de uma antiga e tradicional casa mineira, os oito atores e cinco músicos se revezaram nas interpretações, coros e instrumentos, que tiveram como pontos altos, para os espectadores, as músicas românticas Paula E Bebeto e Amor de Índio.
milton-tremzinho ‘Trenzim’ patrocinado. Foto: Tarcila Garcia

milton-palcoTons pastéis, estilo barroco mineiro e o famoso ‘cafézim’. Foto: Tarcila Garcia
Enquanto as interpretações mais fiéis à figura inesquecível do Bituca foram das canções RaçaCaicó CantigaPonta de Areia e Fé Cega, Faca Amolada.

Já suas canções mais políticas, como Para Lennon e McCartney e, principalmente, Coração de Estudante (hino na campanha das Diretas Já, de 1984) não emocionaram o público que ao final do musical entoou um sonoro “Fora, Temer”.

Somente assim, ao término do espetáculo, a praça que testemunhou uma batalha campal entre governo do estado e servidores públicos, pôde ouvir, finalmente, uma encenação que fez jus aos 54 anos de carreira de Milton Nascimento.

Surgiu uma esperança que essa manifestação, espontânea do público, seja um ensaio de que nada será como antes, nos quintais do Palácio Iguaçu.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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