Tingui ou Tanguá?

TEXTO OPINATIVO

Ligia Henemann (*)

É engraçado como não estamos acostumados a conhecer certos pontos de nossa cidade. Eu mesma, nascida e criada em Curitiba, raramente posso dizer a alguém como chegar a um parque daqui, seja de ônibus ou carro. Período de férias tornou-se sinônimo de visitar sempre os mesmos locais e, de vez em quando, se possível, passear em pontos turísticos de outras cidades ou até mesmo de outros estados.

Parece coisa boba, mas não conhecer ao menos os pontos turísticos da própria cidade é uma pena. Existem lugares maravilhosos merecedores de uma visita, mas que são menosprezados – por mim e tantos outros – pelo fato de serem aqui. Se alguém me perguntar como se chega à Praia de Copacabana, saindo do centro do Rio de Janeiro, respondo com a maior facilidade e rapidez que a linha um do metrô passa por lá.

Agora, se me perguntarem a diferença entre os parques Tingui e Tanguá – fato que ocorreu hoje pela manhã – o máximo que conseguirei responder é que suas localizações são próximas e que o ônibus da linha turismo passa por eles. Essa última informação só descobri porque decidi conhecer melhor minha cidade durante o feriado.

Passei alguns dias com a ideia e vontade de entrar no ônibus da linha turismo, tomei coragem e falei com a minha mãe que resolveu comprar os bilhetes. Confesso que o valor alto acabou nos assustando um pouco, mas ao saber que poderíamos reembarcar mais quatro vezes acabamos dando uma chance para os pontos turísticos daqui. Voltei a lugares que só lembrava de ter visitado durante a infância, passei por lugares que frequento ocasionalmente e lugares que vejo praticamente todos os dias, como o prédio da UTFPR – já que o ônibus passa em frente a ele durante o itinerário.

Já havia planejado em qual parada gostaria de descer e estava animada, pois desde o dia em que vi a Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre) em um programa de TV local fiquei surpresa com tamanha beleza. Foram quase duas horas e meia dentro do ônibus com um “entre e sai” de pessoas de diversos estados com os mais diversificados sotaques, pouquíssimos eram curitibanos. Isso me fez questionar o motivo de poucas pessoas da cidade querendo conhecer a própria cidade, foi então que minha mãe me lembrou: “É feriado, todo mundo desceu pra praia…” Claro! Como de costume, as famílias optam por descer para a praia ou viajarem para outro estado já que “Curitiba só tem parque e shopping”.

Já estava ficando cansada e com frio, pois havíamos sentado na parte superior, quando finalmente chegamos à Unilivre. A primeira coisa que me chamou atenção foi o caminho até o paredão de pedra: eram tábuas de madeira suspensas em um pequeno córrego, paisagem típica de reservas florestais que você decide visitar quando está em outra cidade com amigos ou família. Fomos andando até o final, quando de repente me deparei com um paredão gigantesco da antiga pedreira, um lago e algumas pessoas tirando fotos.

Foram, no total, quase três horas de passeio, quarenta reais por pessoa e uma experiência diferente, pude me sentir uma turista dentro de minha cidade. Porém, ainda não sei explicar a diferença entre os parques Tingui e Tanguá como também não sei como chegar lá, seja de ônibus ou carro. Quem sabe no próximo feriado eu aprenda um pouco mais.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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