Um medo bobo imposto pela sociedade

TEXTO DE OPINIÃO

Ubiratan Martins (*)

Todos os dias, quando lemos algum jornal ou site, nos deparamos com relatos de violência. São todos os tipos de violência possíveis, desde aqueles que ocorrem na Síria, até casos mais esporádicos que podem ter acontecido a alguns metros da nossa casa.

Claramente tomamos as dores de todos os ocorridos, contudo, quando o caso é com alguém que possui alguma característica em comum com a nossa, torna-se muito mais doloroso. No meu caso, quando – infelizmente –  leio casos de LGBTfobia, surge em meu peito dores inimagináveis que são difíceis de se passar.

Sei que não são todos os casos de LGBTfobia que são noticiados, e que muitos ficam impunes por não haver alguma lei que possa amparar a vítima com eficiência. Mas quando os casos são noticiados, eles realmente são MUITO pesados, trazendo uma grande comoção por parte da população e mais medo para quem é LGBT.

Como aquele caso, já antigo, que ocorreu em 2010 em São Paulo, onde um moço recebeu um golpe no rosto com uma daquelas lâmpadas fluorescentes (aquelas compridas que encontramos em diversos lugares). Na época foi constatado que foi um caso de homofobia e isso trouxe maior apreensão e medo para familiares e pessoas LGBTs. Tanto que já se passaram 6 anos desse ocorrido, e eu tenho muito medo ao passar perto dessas lâmpadas, que na região central de Curitiba se encontram muitas vezes soltas nos lixeiros públicos. Isso é tão forte que quando avisto alguma dessas lâmpadas em alguma lixeira, não importa a pessoa que esteja perto, eu tento passar da forma mais rápida pelo local, sem pensar duas vezes.

É uma forma de me proteger desse medo tão bobo – ou não tão bobo assim – que infelizmente a sociedade implantou em minha alma. Já ouvi muitas pessoas dizendo, “mas não precisar ter medo, não são todos que são homofóbicos e blablabla”, mas não posso correr o risco de ser uma vítima, sendo que a cada dia que passa, com cada novo caso de LGBTfobia que ocorre, aparecem grandes quantidades de comentários – principalmente nos canais online de notícia – que demonstram que existem SIM pessoas que são intolerantes com a forma de amor/gênero das pessoas LGBTs.

Mas enfim, até quando terei que esboçar esse meu medo para o mundo? Até quando terei que me sentir apreensivo ao passar por um simples objeto, como uma lâmpada jogada no lixo? Infelizmente não tenho a resposta, assim como ninguém tem, mas espero que a sociedade mude com o passar dos anos e isso, algum dia, seja apenas um medo que tive aos meus 20 anos.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR.

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