Uber x Táxi

TEXTO OPINATIVO

Débora Bortolotti (*)

Quando se tinha a vontade ou a necessidade de ir a algum lugar, antes pegava-se um ônibus ou táxi. Essas eram as únicas opções do serviço público. Contudo, devido a um ocorrido em Paris em 2008, em que dois rapazes, Travis Kalanick e Garrett Camp, tiveram dificuldades de pegar um táxi em um dia que estava nevando, os dois juntaram as suas ideias e com criatividade pensaram em resolver seus problemas com um simples aperto no botão. A proposta era conseguir um carro de maneira mais rápida. Foi então que se desenvolveu um aplicativo em que era possível solicitar um carro preto premium em algumas áreas metropolitanas, o chamado Uber. Para não ter um serviço igual ao táxi, foram criados diferenciais a quem iria utilizá-lo.

Contudo, quem não gostou disso foram os taxistas, que não apenas protestam contra o Uber, como cometem violências contra motoristas, passageiros e danificaram os veículos. Toda essa revolta no mundo inteiro – já que o serviço é regularizado em 59 países e mais de 250 cidades – ocorre devido ao fato de existir concorrência, segundo notícia veiculada no Fantástico.

Os taxistas alegam que há inúmeras exigências para eles terem a autorização para possuir o tipo de veículo necessário. Além da habilitação especial, seguro para transportar passageiros, um curso preparatório, não ter antecedentes criminais e licença do carro: que varia entre R$ 5 mil a R$ 180 mil. E ainda há diversos gastos extras com o veículo.

Já na posição do Uber, a história muda. Para eles, o fato de ser necessário ter um carro com nível acima, tem que ser um modelo sedan, novo, com bancos de couro, ar condicionado, som. A ideia é que o passageiro viaje com todo o conforto, o que segundo os “ubers” nem sempre este se encontra nas ruas.

O que ocorre nesse cenário é um equívoco de foco no que as duas classes poderiam e deveriam lutar. Brigar entre elas não vai resolver nada. Se os taxistas acham que estão tendo desvantagem e que o Uber é um negócio pirata e desleal, o que pode ser feito é correr atrás da Justiça, um intermediário que crie uma regulamentação precisa, assim como a dos funcionários, primeiros citados. Seria uma disputa mais justa, pois ambos são concorrentes do mesmo espaço.

Brigar para tirar o Uber do mercado é ” ditado “. Em quantos mercados isso não acontece? É um aspecto natural do mundo comercial, capitalista. Alguém tem uma ideia, a coloca em prática e pronto, surgiu um concorrente em um negócio que só havia um comandando. O fato de o Uber se estabelecer, mesmo que com algumas exigências, pode sim ser injusto perto da burocracia de se conseguir um táxi. Mas  essa concorrência pode ser vista como uma forma de melhorar o serviço de ambos. O risco de quando só há um dominando determinado mercado, é que o pensamento vire algo como “não é preciso inovar e melhorar, só tem eu nesse negócio e pronto”.

Não digo que discordo da luta dos taxistas, porém transformações invadem nosso cotidiano. O mais importante que se deve ressaltar é como o serviço está sendo ofertado ao seu público. Assim como diz o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Vinícius de Carvalho: “colocar o interesse da sociedade e do consumidor brasileiro no centro desse debate”. Essa disputa se resolverá quando o serviço Uber tiver melhor regulamentado e quando ambos perceberem que não é uma extinção dos Táxis e sim um compartilhamento de espaço.

Estudante de Comunicação Organizacional (*)

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