O que nos comove?

TEXTO DE OPINIÃO

Bruna Carvalho (*)

Todos os dias algum tipo de tragédia acontece no mundo, e todos os anos a conta final de óbitos é maior. Nem todas entram nas notícias de capa de algum jornal, mas todas têm vítimas, parentes e dores. A questão é: o que nos faz sentir mais comoção por determinados acontecimentos, do que por outros? Afinal, de todas as bombas jogadas no mundo, apenas algumas viram filtro do Facebook.

Não é um ataque e muito menos a diminuição dos fatos que aconteceram no último domingo (12/06), na balada Pulse em Orlando, apenas uma reflexão. Claro que a comoção que está ocorrendo é lógica, ainda mais por se tratar da comunidade LGBT que já possui vários obstáculos em sua caminhada, e não há argumento suficiente que justifique ou amenize a culpa do assassino.

Mas por que não sentimos da mesma forma ao saber que o estado islâmico esta dizimando a etnia Yazid, que reúne cerca de 400 mil pessoas no Iraque e na Síria. Ou melhor, por que não ficamos tão aflitos em todos os ataques que ocorrem na nos países onde o ISIS mata diariamente? Apenas os europeus e americanos merecem destaque? Será que estamos acostumados com essas notícias tão rotineiras no jornal das 20h? Ou simplesmente não nos importamos?

Se a resposta entra na primeira opção, somos medíocres, hipócritas e egoístas. Caso esteja na segunda alternativa, é preocupante, afinal significa que violência e morte são algo comum aos nossos olhos. E se a resposta se encaixa na última possibilidade, quer dizer que as pessoas estão perdendo a humanidade.  Qualquer que seja a conclusão escolhida, o significado no fundo quer dizer que, de uma forma ou de outra, estamos perdendo a sensibilidade, não a humanidade como um todo, mas o simples fato de sentir empatia e compaixão pelo próximo.

Por mais que isso possa parecer assustador, não há como culpar aqueles que simplesmente não têm a mesma reação em todas as catástrofes, é apenas um mecanismo de defesa do próprio subconsciente reagindo e evitando que a depressão esteja no prontuário de milhões de pessoas (mais do que já está). No final das contas, existe sim a diferença justificada de sentimentos para cada incidente. Agora, a intensidade como são abordados pela mídia é outro texto, para outra hora.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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