Exposição diz não à cultura do estupro

 

Amanda Mendes (*)

O câmpus central da UTFPR – Curitiba recebe até sexta-feira (17) uma exposição contra a cultura do estupro. Este crime é previsto no artigo 213 do Código Penal e se caracteriza pela conduta de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso.

Segundo a professora Lindamir Casagrande, o objetivo é chamar a atenção da comunidade da universidade sobre a necessidade de desconstruir tal cultura que tem feito muitas vítimas no país, de modo especial mulheres e crianças. Além disso, a atividade proposta pelo Núcleo de Gênero e Tecnologia (GETEC) pretende estimular a reflexão, principalmente dos homens, quanto a importância de respeitar não apenas as mulheres, mas todas as pessoas e evidenciar que a culpa nunca é da vítima.

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Recentemente, no campus da UTFPR em Toledo, uma aluna denunciou seu agressor, também aluno e seu antigo companheiro. Ele foi preso em flagrante na última semana, quando ameaçava expor momentos íntimos da jovem caso ela se recusasse a praticar atos sexuais. Há mais de seis meses ela era vitima de violência sexual, psicológica e ainda era ameaçada de morte.

Na última segunda-feira (13 de junho) os universitários e servidores de Toledo se manifestaram para mostrar solidariedade à aluna. Através de nota de esclarecimento, a UTFPR/Toledo disse que está acompanhando as investigações e que tomará as medidas cabíveis nos âmbitos administrativo, acadêmico e jurídico.

A exposição montada no pátio do Restaurante Universitário, em Curitiba, já estava sendo planejada antes mesmo do ocorrido, mas ajudou a reforçar ainda mais que a cultura do estupro pode estar presente em qualquer lugar e que a discussão sobre o assunto também deve ocorrer dentro da universidade.

Os alunos Tariana Zacariotti e Gabriel Matos, do curso de Comunicação Organizacional, acharam a intervenção muito interessante, pois é um tema pouco discutido hoje em sala de aula e precisa ser cada vez mais frequente, visto o impacto que tem causado na sociedade.

Questionada sobre a ajuda oferecida pela universidade às vítimas em casos como o de Toledo, a professora Lindamir diz que, infelizmente, a UTFPR não tem estrutura para dar apoio com psicólogas/os ou advogados/as. Porém, a ouvidoria tem encaminhado as denúncias e medidas têm sido tomadas com o intuito de coibir a disseminação de atitudes que podem constranger e dificultar a presença e permanência das mulheres e de homossexuais na universidade. A ouvidoria também faz indicações para que as vítimas procurem os serviços como Delegacia da Mulher para as medidas cabíveis.

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Lindamir diz ainda que, junto ao GeTec, está desencadeando uma campanha que deverá atingir todos os campi da UTFPR. Uma pesquisa está sendo realizada na instalação e, para participar, basta deixar sua opinião na caixa indicada. O resultado será mostrado em um artigo cientifico sobre o tema.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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