Valorize o passado

TEXTO DE OPINIÃO

Paloma Costa (*)

Não é à toa que as pessoas ainda chamam a UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) de CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica). O ensino técnico, desde o século passado, deu origem ao que frequentamos e vangloriamos como a única universidade tecnológica do país. Foi graças a ele que a instituição ficou conhecida como provedora de um excelente ensino regular e ainda formadora de profissionais capacitados a trabalhar nas grandes indústrias da região. Sua qualidade também garantiu que muitos dos seus alunos obtivessem as melhores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Em razão dos cortes na verba destinada ao técnico e da não capacidade de contratar novos professores, segundo as declarações oficiais da reitoria, a variedade de cursos ofertados foi diminuindo e hoje restam apenas Eletrônica e Mecânica. Mesmo assim, o andamento dos fatos evidencia que o propósito é fechá-los definitivamente e deixar na gaveta a história de tantas gerações.

É nítido que a valorização e os recursos não são mais os mesmos de quanto os adolescentes estudavam de jaleco e, por isso, não é nem justo ofertar algo ruim e sem comprometimento com a centenária reputação. Se a estrutura é precária, os professores não têm comprometimento e a universidade não dá o mínimo apoio aos projetos desenvolvidos, realmente não vale a pena iludir os alunos que sonham em colocar no currículo a sua passagem pela instituição.

No entanto, quem teve a experiência de estudar na UTFPR antes de entrar para a graduação – e digo isso com propriedade – sabe que nenhuma outra escola faz o estudante crescer tanto quanto esta. Além disso, nada mais é tão assustador ou repleto de novidade quando, aos 14 anos, você já é tratado como adulto e deve correr atrás do conteúdo e dos prazos de cada disciplina. Seria uma grande perda para a sociedade não contar mais com os profissionais e cidadãos que se formam nesta escola.

Por essas razões, considero extremamente válida a revolta, que aconteceu na última semana, dos alunos que ainda restam para sustentar o técnico. Eles aprenderam com a própria universidade que é preciso lutar por seus direitos e defender suas causas. Infelizmente a reitoria, do outro lado, resistiu em se pronunciar e deu as costas ao passado que a fez crescer. Se é inviável manter o ensino médio, então que expliquem e argumentem diretamente com todos que estão descontentes. Convenhamos que, independentemente da sua representatividade nos dias de hoje, este ensino merece o devido respeito e agradecimento.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional

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