De fora

Isabel Noernberg  (*)

De fora, se observa um fuzuê. É sempre assim, quem não está inserido na situação não entende, procura ter uma opinião e dá uma bola fora. Assim eu me sinto com relação ao universo LGBT. Não faço parte. Mas espera aí, quem disse que eu não faço parte?

Vou logo dar a conclusão de um raciocínio que levei 20 anos para conseguir ter, e olha que não tenho certeza se é correto pensar assim. Só a empatia permite que eu possa realmente entender o outro. Mas a empatia não é o ‘eu’ no lugar do ‘outro’? Se sim, logo eu sou o outro. Então, se eu me coloco no lugar de qualquer pessoa, eu sou negra, rica, asiática, da favela e LGBT.

Falo isso porque aconteceu uma tragédia nos Estados Unidos. Dessas que nos causa desespero. Não é nada mais que preconceito e ódio estampados em forma de fanatismo religioso. E eu, que falo de empatia não consigo me colocar no lugar ou sequer tentar entender o que passa na cabeça de um terrorista do ISIS.

Falo isso porque em um tweet o deputado Marco Feliciano postou que a comoção à tragédia é uma tentativa de promoção dos grupos LGBT. Não é nada mais que um mau juízo de valor, uma interpretação distorcida da realidade vinda de um dos representantes desse país. Também não consigo me colocar no lugar de quem ignora fatos em busca de uma autoafirmação.

Falo isso porque hoje um amigo LGBT chorou ao contar que seu pai não o aceita. Não é o primeiro amigo de quem ouvi isso. É o preconceito e o mau juízo. Além disso, faltam palavras para consolar alguém que se sente mal por não agradar ao seu pai sendo do jeito que é. Como se tivesse qualquer tipo de culpa. Toda essa subjetividade faz parte do nosso cotidiano, e ocasiona acontecimentos como o de Orlando.

O que acontece é que ainda não existe uma prática social consolidada na qual as pessoas se coloquem no lugar do outro: pobres dos oprimidos. Não é só questão de gerações que nunca pararam para refletir sobre homofobia, pois crianças continuam praticando bullying entre si. Creio que, sem antes se colocar na pele de quem morreu em Orlando, ninguém pode argumentar.

 

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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