CONSUMO FITNESS – A escolha saudável

Amanda Mariano Santos, Débora Bortolotti, Emanoelle Santos e Lucas Ken (*)

Nutricionistas estão de prontidão para orientar tanto aqueles que querem reduzir gordura, quanto os que priorizam o crescimento muscular. Buscar um profissional que consiga entender a realidade do cliente, que individualize seu atendimento será sempre a melhor opção para respeitar sua saúde.

Para falar sobre esse tema, a AG Comunique entrevistou o nutricionista Rodrigo Spricigo, formado pela Universidade Federal do Paraná.

 

AG Comunique: Quais os riscos de saúde de quem pratica exercícios físicos sem o acompanhamento de um profissional de nutrição?

Rodrigo Spricigo: O maior risco parte da desinformação. Quando um indivíduo começa a praticar exercícios físicos apenas para melhorar sua qualidade de vida, normalmente, não há preocupações com deficiências ou excessos. Entretanto, quando há preocupação excessiva com a estética, o praticante passa a buscar maneiras de chegar ao resultado desejado a qualquer preço. Além do mais, na internet dispomos de diversos pseudoprofissionais, que prestam o desserviço de estimular práticas prejudiciais ao corpo, que podem desencadear disfunções alimentares como bulimia e anorexia, distúrbios metabólicos e endócrinos que podem levar a quadros extremos de outras doenças.

 

A tendência fitness tende a aumentar? A mídia influencia na busca pelo corpo perfeito?

Acredito que a tendência fitness tende a aumentar sim. Mas ao contrário de muitos, não acredito que isso seja ruim, desde que o indivíduo busque o auxílio de profissionais da área da saúde, em vez de informações generalistas e equivocadas.

A mídia exerce um papel muito forte na imagem do corpo perfeito. Mas cabe ressaltar que há muitas variáveis aqui: Um indivíduo X pode ter uma imagem de corpo perfeito que difere dos indivíduos Y e Z.

Cabe dizer que cada corpo tem sua individualidade, principalmente em sua forma. Portanto, não se espelhe num outro corpo, apenas tente aprimorar o seu. É o melhor caminho para não sofrer com transtornos de imagem corporal.

 

Quais são os perigos de seguir “perfis fitness” que encontramos principalmente nas redes sociais?

A internet é ótima, quando sabemos filtrar as informações que chegam até nós. Algumas pessoas têm a “sorte” de nascer com um corpo desejado por milhares, outras conquistam este corpo através de métodos saudáveis ou não. As pessoas leem alguns artigos sobre determinado assunto, fragmentam o ser humano e se tornam pseudodoutores em matéria de saúde, nutrição, alimentação, farmacologia. Isso é muito fácil, sinceramente. Difícil é ver o ser humano como um ser complexo e social.

O problema se dá quando algumas pessoas tomam aquilo como verdade absoluta, mesmo que não se encaixe em suas realidades. Enfim, o que quero dizer é que na internet encontramos muitas informações úteis, mas também encontramos o oposto. Saber filtrar é difícil. O caminho que parece ser mais rápido e fácil, na verdade, pode se tornar problemático e demorado.

 

Quando um paciente te procura para o acompanhamento nutricional, no geral, quais são os principais interesses? Você acredita que as pessoas se preocupam mais com a saúde, com a estética ou com os dois?

Determinados grupos estão mais preocupados com a estética do que com a saúde, e esta diferença é bem visível. Agora falando dos meus pacientes: sinceramente, as coisas estão mudando. Quando entrei no curso de Nutrição, o público não estava tão preocupado com a saúde, mas sim com seus resultados. Atualmente, o público que está preocupado com a estética também está se preocupando com saúde. Acredito que no final das contas, eles (meus pacientes) venham para a consulta a fim de conciliar a saúde e a estética no que é mais sagrado para nós: a alimentação.

Aproveitando, gostaria de dizer que o termo saúde não é a simples ausência de doença, mas sim o completo bem-estar biológico, psicológico e social do indivíduo. Se os três pilares entrarem em desequilíbrio, o indivíduo fica mais suscetível a diversas doenças.

 

E quanto ao uso de suplementos, há um risco específico? Muitas vezes, a suplementação gera um grande tabu entre os praticantes. Por que isso acontece?

Primeiramente, depende. Temos milhares de suplementos no mercado e cada um possui uma função para determinada situação. A questão da suplementação ainda é um tabu inclusive dentro de sala de aula. O que mais ouço de outros profissionais é que não são necessários e podem causar sobrecarga, dano renal ou hepático. Isso é verdade? Depende.

Comer frutas em excesso pode fazer mal: isso é verdade? Depende também.

Acredito que isso seja em decorrência de alguns estudos antigos e defasados que, de alguma maneira, ligaram o consumo excessivo de proteínas ao dano renal e uma produção elevada de enzimas hepáticas. Hoje, já sabemos que até o ácido ascórbico (Vitamina C) pode ser mais danoso se consumido em excesso. Ou seja, tudo depende de muitas variáveis.

Resumindo: os suplementos podem ser prejudiciais ou não, dependendo de todo um contexto dietético, do estilo de vida, da condição de saúde, objetivos e possibilidades de manejar a dieta do indivíduo sem que entrem em desequilíbrio.

 

(*) Alunos do COMUT-UTFPR.

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