Vista-se para o emprego que você quer

Hugo Oliveira (*)
Este é um enorme chavão utilizado por tantas e tantas empresas que não imprimem diretamente nenhum uniforme, mas que são entusiastas de um código de vestimenta velado – código que exibe uma conduta ainda mais rígida do que as de organizações que regulam a indumentária, muitas vezes.
É curioso pensar nessa rigidez em relação à aparência de seus empregados e o quanto isso pode se relacionar a um alinhamento estético quase de padrão militar, que conta, contudo, com um tipo diferente de fardamento, num estilão business, com o qual os colaboradores devem aparecer nos escritórios para dar início a seus expedientes.

Ainda por cima, o tal código velado acaba sendo, a princípio, uma fonte de despesas para o funcionário, que sem receber um uniforme tem de comprar aquela roupa especial (e especialmente cara) para a labuta diária.
Fora o desconforto habitual dessas roupas tidas como elegantes, algo que parece uma pregação de peça do pessoal da moda.
Por outro lado, há quem adote a beca como parte de uma nova identidade. O tailleurzinho da mulherada deixa de ser apenas uma peça que serve para representar uma nova figura formal, tornando-se parte de uma personalidade mais ambiciosa e que reflete a tentativa de se mostrar como a bem-sucedida, ou ao menos como postulante ao posto.
Algo que em nada se mostra diferente do que acontece com o outro gênero, o do verdadeiro sexo frágil, quando se pensa nos ternos e gravatas, acessórios tão incômodos no calor tropical. Que, vá lá, dão uma sensação interna de elegância para aqueles que o vestem, uma segurança, a cara do homem de negócios que está nos conformes para a correria do mundo moderno.
De tal maneira, o desconforto é sim discutível, bem como a forma com a qual o indivíduo adota os trajes mais finos como parte de si e, finalmente, pode se tornar confortável com o que veste, seja diante de uma perspectiva de sucesso ou, até mesmo, da simples aparência, pode e deve ser respeitada. O grande problema é, na verdade, quando os ternos e tailleurs são mais uma prisão interna dentro das tantas que a sociedade impõe.
E é a partir daí que uma meditação deveria ser feita. Se não são camisas e calças sociais de marcas caras e famosas que quero vestir para o resto da vida, para não mais do que cumprir um horário comercial e ficar em escritórios durante o resto da minha sobrevivência, será que isso é o que realmente quero como modelo de vida?
Existem outras formas de progredir e nem todos os empregos exigem nem um código de vestimenta, nem a permanência em prédios comerciais. Hoje visto-me para o emprego que quero e não pretendo abandonar tão cedo meus jeans, minhas camisas xadrez e minhas camisetas de bandas e de futebol.
(*) Aluno do curso de Comunicação Organizacional da UTFPR-Curitiba.
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