Porque falar de Africanidade

TEXTO DE OPINIÃO

Flávia Cruz (*)

O mito da democracia racial no Brasil é uma falácia, pois reproduz e neutraliza o racismo ao destituir os negros e indígenas de seus direitos como cidadãos. Uma das maneiras de produzir este efeito é a banalização de suas representações, que se demostram fragilizadas e hierarquizadas, segregando e estereotipando a cultura e os valores simbólicos destes grupos, que fazem parte de sua essência e espiritualidade.

É a partir deste pensamento que podemos buscar outras formas de entender a realidade das relações étnico raciais; uma opção é olhar através da perspectiva afro-centrada, ou seja, buscar o resgate da cultura afro-brasileira no afro-centrismo, observando o   trabalho que vem sendo desenvolvido pelo pesquisador Molefi Kete Asante, historiador, filósofo, poeta e dramaturgo, que pesquisa estudos africanos de Comunicação. Atualmente ele é professor da Universidade Temple, nos EUA, criador do primeiro programa de Doutoramento em Estudos Africanos e Afro-americanos. Consagrado no meio acadêmico, Asante é considerado um dos estudiosos mais contemporâneos a abraçar essa causa.

A partir da observação das pesquisas já desenvolvidas por ele podemos ampliar o conhecimento e assim difundir de maneira homogênea a discussão social que envolve as relações étnico raciais, bem como resgatar um pouco da cultura africana.  Para tanto se faz necessário investir em educação para ampliar o campo das discussões, considerando o ambiente universitário um espaço produtivo para incentivar as ações afirmativas que possam contemplar o princípio de equidade.

Observado que uma dessas ações é o acesso ao ensino superior por meio do sistema de cotas nas universidades públicas, esse indicativo demostra que a educação é um fator primordial para diminuir o abismo social existentes nas relações étnico raciais, causando assim a garantia dos direitos enquanto cidadãos de direito.

Além das políticas de ações afirmativas, é necessário ampliar a política de Estado para que atenda os direitos fundamentais do Estado Democrático, abrindo as portas de entrada ao ensino superior, resgatando a partir dessas ações a essência humana e a igualdade social. Observa-se que a sociedade brasileira contemporânea conserva os traços da intolerância de maneira   sutil e involuntária, negando a própria miscigenação do país, que possui uma cultura ligada diretamente às relações étnicas raciais.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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