Marcha Engajada

TEXTO DE OPINIÃO

Arthur Vieira (*)

Na tarde do último sábado (14 de maio), manifestantes fecharam as ruas da região central de São Paulo para uma caminhada em prol da legalização da maconha. A passeata partiu do vão livre da Masp, na Av. Paulista e seguiu até a praça Roosevelt. À frente da marcha, um grupo defendia o uso medicinal da droga. Outro pedia que o Supremo Tribunal Federal (STF) liberte o porte da erva.

Sabe-se que atualmente o protesto vem concentrando muitos organizadores para que este possa ocorrer em diversas cidades. Passados alguns problemas com a justiça sobre a sua legitimidade, e confrontos com a polícia em certas edições, a manifestação popular costuma ocorrer pacificamente mesmo diante do variado público que envolve. Assim foi a Marcha da Maconha São Paulo 2016, que teve como tema a frase “fogo na bomba e paz na quebrada”. Observa-se no lema uma referência sobre a relação da proibição e suas consequências para a periferia, a guerras às drogas sustenta o tráfico e fortalece meios de corrupção. Quem paga com essa briga? O pobre, o negro, a favela.

Entendo a utopia por trás de desejar o fim do tráfico ilegal, no entanto, países que mudaram sua política em relação às drogas já demonstraram avanços. Salve Uruguai! Enquanto o país trilha o caminho da liberação completa da maconha e a espera a venda em farmácias, o autocultivo, permitido por lei, passa a ser predominante sobre o mercado negro.

Contudo, algo que me chamou muito a atenção na manifestação paulista foi o ato descrito como “maconhaço”, momento em que os manifestantes foram convocados a consumirem a droga como forma de desobediência civil. Raramente há alguma repressão ao consumo do álcool ou do tabaco em público e tamanha violação para mim é a noção de que o usuário está mais próximo do que se imagina, andando ao seu lado nas ruas, e não se afundando na dependência como muito se propaga. Afinal, infelizmente o conceito do que é droga e do que é vício ainda precisa ser explicado, entrando nos conceitos do lícito e ilícito. Outra circunstância curiosa é que a Polícia Militar não interferiu na prática – não sei se fico desconfiado ou esperançoso.

É importante ressaltar os diferentes rostos, classes e culturas aparentes durante a manifestação, juntando pessoas pela mesma causa. Demonstra-se a quantidade de condições que o pedido de legalização traz em si. Mais uma vez tal fato ajuda a derrubar o estereótipo criado pela mídia hegemônica sobre o usuário e aquele que é a favor da descriminalização, regulamentação ou liberação; mostrando que, como afirmou o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, John Kirby, “quanto mais diversidade melhor” – contrariando o que vemos no ministério constituído pelo presidente em exercício, Michel Temer.

Diante da situação do governo brasileiro, a expectativa para progredir é substituída por grande preocupação. O que faz da manifestação popular uma atitude cada vez mais necessária e engajada.

Para conferir as fotografias publicadas pela Folha de S. Paulo: Clique Aqui

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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