O clubinho das que descem do salto

TEXTO DE OPINIÃO

Amanda Santos (*)

sem salto

                                     Foto: Getty Images

Como descrever esta imagem que percorreu a internet desde a última quinta-feira? Julia Roberts, uma linda mulher usufruindo seu direito de calçar (ou não) o que ela bem quiser.

O Festival de Cannes, prestigiado evento de cinema da França, acontece anualmente no mês de maio e a estrela de Noiva Em Fuga protestou contra a polêmica gerada no ano passado. Esta se deu devido ao fato de algumas das mulheres terem sido barradas de assistir ao filme ‘Carol’ por chegarem sem o salto alto – tão elegante e devastador de dedos do pé. Uma questão, até engraçada, é a que o filme tratava da liberdade feminina. Contraditório, não?

Na edição deste ano, Julia Roberts, Kristen Stewart e Sasha Lane abandonaram seus sapatos e entraram descalças no famoso tapete vermelho. As atrizes encararam o ocorrido do ano passado como uma ofensa ao direito e liberdade da mulher. Uma das questões colocadas foi a desigualdade de gênero, já que os homens não possuíam essa obrigatoriedade, subjetivamente imposta pelo Festival de Cannes, e podiam usufruir da tranquilidade de um sapato baixo.

Paralelamente, foi muito compartilhada pelos internautas a história de Nicola Thorp, recepcionista britânica que – ao recusar usar os sapatos “de 5 a 10 cm de altura” durante todo o expediente, impostos pela empresa em que trabalhava – foi suspensa e voltou para casa, sem sequer um tostão!

E então surge o questionamento: que tipo de sociedade é essa em que vivemos, onde não entramos em algum lugar ou somos suspensas por apenas não seguir o padrão estético de uma regra ultrapassada e machista?  Convenhamos, só se você for uma professora de Stilleto (modalidade de dança onde se usa o salto alto) ou uma masoquista de plantão pode se dar bem com esse tipo de sapato por muito tempo.

Uma empresa até pode ter suas regras de vestimenta, mas que sejam pensadas para a atual sociedade, para a igualdade de gêneros e a liberdade de cada individuo em se sentir bem consigo mesmo.

Descer do salto? “Jamais, eu aguento até o fim”… Pois digo que sempre que aparece uma oportunidade, eu desço. E olha que até crio laços com aquelas que descem também. Por favor, se você está lendo esse texto em uma festa de casamento ou um aniversário de quinze anos, abra o porta-luvas do carro, pega aquele chinelo ou sapatilha que você colocou lá “por via das dúvidas”, tira o salto e vai ser feliz! O sapato de salto é bonito sim, mas ninguém deve ser obrigado a usá-lo. Aliás, o seu uso constante gera até riscos na saúde, como a artrite. Amiga, você realmente quer ter artrite?

Ninguém pode te rebaixar por não usar o salto alto, além dele mesmo, é claro.

Somos todas Julia, Kristen, Sasha e Nicola. Bem-vindas ao clube!

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                                         Foto: Getty Images

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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