O Cinema Nacional é mesmo ruim?

TEXTO DE OPINIÃO

Thayna Bressan (*)

Grande parte da população brasileira diz não gostar do cinema nacional e eu não a culpo.  As pessoas tendem – logicamente – a conhecer apenas o que é divulgado e, quando se trata de filmes brasileiros, o que é exibido nas salas de cinema raramente passa de alguma comédia insossa de conteúdo fraco ou de algum drama lotado de violência da Globo Filmes. A produção filmográfica e o incentivo à sétima arte é intensa no país, e muito do que é feito no cinema brasileiro é premiado em outros lugares do mundo.

A ironia está justamente aí: filmes nacionais bons perdem espaço diante do monopólio das grandes produtoras e acabam não sendo conhecidos pelo público brasileiro, porém têm reconhecimento internacionalmente – a exemplo dos longas O Menino e o Mundo, Os Famosos e os Duendes da Morte, Estomago, O Som ao Redor, Central do Brasil, Uma História de Amor e Fúria, Bicho de Sete Cabeças  e tantos outros (que valem pelo menos uma pesquisada no google).

O cinema brasileiro tem sua produção independente (leia-se não financiada pela mídia hegemônica) devido aos editais governamentais que selecionam os roteiros que receberão verba, aos incentivos fiscais que as empresas recebem ao patrocinar uma produção cinematográfica a e à lei federal Rouanet que institui políticas públicas para a cultura nacional. O problema é que esses estímulos não são restritos aos “cineastas autônomos” e abrangem também as grandes produtoras, que acabam retirando não só o espaço, mas também o financiamento dos produtores independentes.

Além dessa problemática, os filmes nacionais alternativos ficam restritos a festivais e quando são levados à exibição – geralmente em espaços públicos (como a Cinemateca, o Paço da Liberdade e o Cine Guarani aqui em Curitiba) – têm uma divulgação carente, à base de cartazes não muito estratégicos e mailing.

Em suma, apesar de sua imensa variedade e qualidade, o cinema brasileiro acaba sendo conhecido nacionalmente apenas sob a perspectiva das grandes produtoras e a divulgação de lançamentos de filmes independentes fica, quase que exclusivamente, por conta de sites como o Adoro Cinema e o IMDb.

 

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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