A falta de humanidade entre universitários

Texto de opinião

Ubiratan Martins (*)

Ao passar em alguma universidade, implicitamente aceitamos o fato de que nós teremos que nos tornar seres mais sociáveis. Mas como assim, mais sociáveis? Simplesmente pela da quantidade de festas de integração que surgem no decorrer da graduação. É festa de centro acadêmico, festa de integração de curso x+y, viagens universitárias e pra finalizar, os famosos jogos universitários.

Logicamente não são todos que gostam dessas integrações, mas uma grande parcela dos universitários adora essas “atividades extracurriculares”. A oportunidade de ser social, com pessoas de ideais em comum, é o grande foco dos organizadores desses eventos, mas às vezes, como exemplo alguns jogos universitários, isso não é atingido por causa das rivalidades entre as universidades participantes.

A rivalidade, principalmente entre instituições federais e particulares, é sempre presente. Mas tendo a ciência de que os jogos têm por objetivo a disputa, sabemos que essa concorrência faz parte de sua constituição. E quando a rivalidade torna-se agressiva, a ponto de humilhações fazerem-se presentes e infelizmente conseguirem transformar o evento, que tem como foco a integração e networking, num campo de guerra de ideias e direitos?

Tudo isso pôde ser observado no último JUCS (Jogos Universitários de Comunicação Social/ sul), onde confusões em relação a humilhações, de cunho homofóbico e depreciativo, conseguiram destruir todo o conceito de integração e, consecutivamente, acabando com o evento antes do determinado. Muitas atléticas, que são as representações esportivas de cada universidade, abandonaram os jogos após o acontecido, por não serem coniventes com os casos que ocorreram. Enquanto isso, outras atléticas se mantiveram e finalizaram os jogos como planejado, fazendo julgamentos sobre as instituições desistentes e, muitas vezes, criando teses conspiratórias em relação ao ocorrido.

Não se pode julgar quem é o certo ou o errado de toda a história, pois não se sabe o que acontece nos bastidores de cada instituição. Mas todos têm um pensamento em comum: até quando será necessário diminuir os outros para demonstrar poder?

Sabe-se que isso ocorre desde as primeiras edições do JUCS e também de outros jogos espalhados pelo Brasil, e que aos poucos vem mudando, pois as militâncias estão cada vez mais presentes e tentando amenizar essas ações desrespeitosas. Contudo, cabe às atléticas, representantes oficiais das delegações presentes nesses jogos, terem um pensamento mais humano, pois quem constitui esses jogos são humanos e eles precisam ser respeitados, independentemente de suas características pessoais e comportamentais.

 

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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