O futuro como (não) imaginamos

TEXTO DE OPINIÃO

Leonardo Wollinger (*)

Aconteceu na última segunda-feira (2 de maio) o famoso baile do museu Metropolitan, em Nova York. Sendo aclamado como um dos principais eventos do calendário da moda, o MET Gala é a ocasião em que celebridades de todo o mundo se unem aos maiores estilistas e marcas para desfilar pelo red carpet com roupas que impressionem e marquem história dentro da temática proposta. Em 2016 o tema do baile foi “Manus X Machina”, que convocava os convidados a pensarem a moda na era da tecnologia.

Enquanto a mídia internacional realizava a cobertura do tapete vermelho por onde as maiores estrelas desfilavam vestidos de valores exorbitantes, nas redes sociais – entre brigas de fãs e memes sobre os looks das famosas – ecoavam reclamações e pedidos por pessoas que cumprissem melhor com a temática do baile. A era da tecnologia é romantizada por nós como digna de placas metálicas e membros biônicos. Achamos que o amanhã, tão distante, é marcado pelo futuro como os filmes de ficção nos apresentam.

Foi com a chegada de uma atriz em um vestido de visual comum, porém produzido com tecido feito completamente de reuso de garrafas pet que se pode fazer uma reflexão acerca do caminho que estamos tomando enquanto sociedade. Nosso desejo latente pelo “futuro” esmaga o presente sem pensar no uso desenfreado de recursos e a produção de lixo. Esperamos um amanhã digno dos melhores filmes, mas evitamos pensar que no passo com que caminhamos, ele não irá se concretizar.

A moda, sempre tida como mercado que enaltece a futilidade nos mostrou através de vestidos e smokings o quão despreparados estamos para o futuro, como tratamos de questões urgentes e o quanto já temos à nossa disposição para promover grandes mudanças. O reuso de materiais se faz necessário, assim como o repensar o consumo e o legado que queremos deixar para as próximas gerações.

O futuro até pode ser brilhante, mas nosso presente se mostra tomado pela cegueira coletiva de imaginar que os erros de hoje não impactarão a vida de quem estiver aqui amanhã, seja usando roupas metálicas ou não.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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