O frio de quem não tem uma casa

TEXTO DE OPINIÃO

Isabel Noernberg (*)

A frente fria chegou, instaurando o outono, e com ela temperaturas caem em Curitiba e toda a região. Vem à tona aquele debate sobre frio versus calor, colaborando para o assunto no elevador e criando discussões nas redes sociais sobre o que é melhor. Realmente, o frio tem suas peculiaridades.

Defensores do frio argumentam que as pessoas se vestem de forma mais elegante, que dormir se torna mais gostoso e que a comida também muda, é feita de alimentos próprios da estação que podem ser acompanhados por chás quentinhos.

Porém, existem pessoas pelas ruas, que não têm com o que se vestir; para quem passar a noite dormindo é um teste de resistência quase impossível, e que também não têm o que comer e nem tomar. É sobre eles, os moradores de rua, que quero falar.

A prefeitura de Curitiba em seu site oficial divulgou um crescimento no número de moradores de rua que procuram ajuda durante as noites geladas. “Em 2012 foram 13.556 solicitações para o serviço de abordagem social via 156, em 2015 este número saltou para 18.065”. Já nesta primeira frente fria do ano de 2016, os dados retirados da página da FAS (Fundação Ação Social), estimam cerca de 139 atendimentos (via o telefone 156) nos três dias de temperaturas baixas.

É verdade que existem recursos, a Fundação Ação Social é um exemplo de órgão público responsável pelo acolhimento de moradores de rua. Não cabe aqui falar sobre a eficiência ou não de tais organizações, proponho apenas uma reflexão sobre o motivo pelo qual existem pessoas morando na rua: a desigualdade social.

Segundo o Instituto Gaspar Garcia, pessoas em situação de rua são vítimas de condições socioeconômicas, estampados em problemas familiares, psicológicos, no uso de drogas e até no acontecimento de doenças. A exposição à fome e ao frio é constante, bem como o enfrentamento à violência.

Ainda segundo o Instituto, ‘muitas vezes a sociedade culpa estas pessoas pela condição em que se encontram da mesma forma como generaliza seu estado, ignorando a singularidade de cada indivíduo. A desumanização cria uma invisibilidade geradora de graves violações. Tratar essa população como um perigo, com indiferença ou descrença é apoiar a violência e marginalização a que é submetida e naturalizar a morte lenta e silenciosa destas pessoas’.

O compadecimento pela causa em si só não é resolutivo. São necessários mais que apenas agasalhos para poder esquentar quem não tem um lar. Se existem ações desenvolvidas por órgãos responsáveis, ou mesmo iniciativas pequenas entre moradores do bairro em prol de pessoas na rua, que tal se empenhar por estas realidades? Compartilho da opinião de Paulo Freire, de que ‘não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão’.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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