Marcha da resistência e coragem marca protesto de professores

Débora Bortolotti (*)

Na manhã desta sexta-feira (29) servidores públicos, professores, e alunos se encontraram na Praça 19 de Dezembro e Seguiram em caminhada até a Praça Nossa Senhora do Salete, em frente ao Palácio Iguaçu, para relembrar a “Batalha” no Centro Cívico, ou “massacre” do Centro Cívico, como ficou conhecido. Milhares de manifestantes ocuparam a praça até meados da tarde.

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                                        Professores ocupam a praça –  Foto: Luciano de Marchi Mello

O episódio, ocorrido no dia 29 de abril de 2015, foi marcado pela extrema violência por parte da Polícia Militar na repressão aos manifestantes que lutavam por seus direitos. Na ocasião, professores e servidores foram impedidos de acompanhar as discussões e a votação sobre as mudanças na Paraná Previdência, na Assembleia Legislativa do Paraná. Caso o “pacotaço” que estava em pauta fosse aprovado – o que acabou acontecendo -, acarretaria no não recebimento da aposentadoria futura dos servidores. Ao tentarem avançar com o protesto, policias jogaram spray de pimenta, bombas de gás e dispararam balas de borracha aos manifestantes que estavam realizando um movimento legal, ferindo mais de 200 pessoas.

Ao lembrar o ato de covardia, os participantes da passeata de hoje levantaram bandeiras, com slogans de “Luta pela educação”, “Não vote em inimigos da educação”, “Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça”, e “Em luto pelo massacre do dia 29 de abril”.  Além disso, o percurso foi seguido ao som de músicas cantadas pelos servidores, direcionadas ao atual governador do Paraná: “Fora Beto Richa ladrão, vai ganhar um passagem para sair do Paraná, não é de carro, nem de trem, nem de avião, é de camburão”.

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Vanessa Mesquita, professora de história do Colégio Militar e Dom Bosco e Ricardo, professor de Geografia no Colégio Anjo da Guarda

Apesar da passividade de quem estava na passeata, Vanessa Mesquita, historiadora e professora, afirmou que a maneira como estava sendo conduzida o protesto era muito semelhante ao do dia 29 do ano passado, antes das bombas. “A gente estava motivado. Estou me sentindo como se estivesse naquele dia de novo, isso que está dando uma aflição, não sabemos o que vamos encontrar lá na frente”, comentou. A professora, que atua em duas escolas, disse ainda que “infelizmente não vejo essa ação como uma forma de esperança,  mas como a continuação de um luta que não vai terminar”.

Em entrevista exclusiva à AGComunique, a professora Marley Fernandes, da Direção Estadual da APP (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná) e do Fórum dos Servidores,  afirmou que hoje foi dia de fazer memória. “A  passeata é um ato de resistência ,de luta, de coragem, para dizer que jamais esqueceremos essa data”, destacou.  Guiando todo o trajeto com frases de incentivo a quem estava no local, ela concluiu: “O governo Beto Richa manchou a história do Paraná e nós, trabalhadores unificados junto com a manifestação dos estudantes, estamos na luta, estaremos sempre e resistiremos com força e coragem para fazer avançar nossas pautas por democracia e por uma sociedade justa”.

O evento foi organizado pela APP, pelo Fórum das Entidades Sindicais do Paraná e pelas Universidades Estaduais. A manifestação ocorreu de forma pacífica, com policiais cuidando do trânsito e do fechamento das ruas para que tudo seguisse com segurança. Até a 13h, PMs no local estimavam ter em torno de 10 mil pessoas, contudo a estimativa era alcançar 20 mil participantes – já que haveria um almoço coletivo e um show da banda Detonautas às 15 horas. Além da presença do ganhador argentino do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, ativista dos direitos humanos que falaria sobre o acontecido.

Para quem estava no Palácio Iguaçu, foi não apenas uma reafirmação e manifestação do fato de o governo ter roubado o dinheiro da previdência, mas um dia de luta/ de resistência, um enfrentamento do descaso com os servidores, um dia de relembrar das balas de borracha atiradas em famílias.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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