O massacre não será esquecido

TEXTO DE OPINIÃO

Mariele Machado Figueiro (*)

“Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo.” – George Santayana.

Dia 30 de agosto de 1988 os professores paranaenses, que protestavam a favor de melhorias no salário e também nas condições de trabalho, foram duramente reprimidos por policiais militares que avançaram até os docentes com bombas de efeito moral, cães e cavalos na Praça Nossa Senhora de Salete, em Curitiba.  Naquela época, os manifestantes que lutavam por melhorias devido a alta inflação do país não conseguiram chegar a um acordo com o governo, o que resultou na infeliz repressão policial.

No dia 29 de abril de 2015, sem um acordo entre o governo e os funcionários públicos em torno das mudanças propostas na Paraná Previdência, os professores sentiram-se motivados a lutar na defesa de seus direitos. Juntamente com outras categorias do funcionalismo, realizavam um ato de protesto na frente da Assembléia Legislativa, na mesma Praça Nossa Senhora de Salete, e houve um novo massacre.

É possível sentir o peso do ocorrido de quase 30 anos atrás e ficar assombrado com a falta de respeito pelos manifestantes por parte da polícia e, mesmo com o passado manchado, a história ter sido reproduzida no último ano. Foram mais de 200 feridos no massacre e o número de servidores nessa contagem foi exorbitante. O cenário descrito pelos manifestantes era semelhante ao de guerra.

Como algo tão pavoroso pôde se repetir? Apesar de querer acreditar que quem reprimiu os manifestantes do ano passado não conhece a história de 1988, é impossível não achar um absurdo o tamanho da desumanização dos docentes brutalmente atacados, como se sua luta pelos direitos fosse um atentado terrorista.  Se um episódio atroz foi reproduzido com tanta semelhança, me assusta pensar o que mais de ruim pode ser imitado.

É preciso conhecer nossa história, nos informarmos a respeito das coisas horríveis que aconteceram antes e nunca nos esquecermos do que já foi conquistado através do sacrifício de nossos antepassados. Mantendo a história viva, e sentindo a dor do que aconteceu dia após dia, é o mínimo que se pode fazer para que futuras gerações não tenham que ter sua dor renovada e o descaso reafirmado pelos ignorantes do passado.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR.

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