A Pílula da Esperança

Georgia Pires (*)

De um lado a promessa de cura, do outro a falta de comprovação científica. São essas opiniões que dividem a população quando o tema é a “pílula do câncer”. A fosfoetanolamina é uma substância que tem causado polêmica desde a divulgação de seus poderes, pelo Instituto de Química de São Carlos (IQSC), pertencente à Universidade de São Paulo (USP).

Sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ausente de testes em humanos, a droga promete curar diversos tipos de câncer, sinalizando as células cancerígenas para o organismo, que se responsabiliza de eliminá-las logo em seguida. A substância existe no organismo das pessoas naturalmente, o que o pesquisador químico Gilberto Chierice fez foi sintetizá-la artificialmente, para que os pacientes pudessem aumentar o nível dela no corpo. O fato curioso é que: uma vez que diferentes tipos de tumores causam diferentes tipos de reações e sintomas no corpo humano, como pode um só medicamento ser capaz de sanar todos essas enfermidades? Outra afirmação é que o tratamento com as determinadas cápsulas é muito menos invasivo e doloroso do que a convencional quimioterapia e medicamentos fortes utilizados.

Todas essas suposições desencadearam um enorme interesse e até mesmo fila para conseguir o remédio, mesmo que poucas gramas. Por muito tempo, antes do estouro midiático da pílula, o Instituto da USP distribuiu a fosfoetanolamina para pacientes que afirmaram todas as características positivas existentes. Muitos relataram a experiência, alegando melhora significativa no quadro – como regressão do tamanho do tumor, melhora no apetite e ânimo. Quem nunca havia escutado sobre a “fosfo”, após todo o alarde criado se deslocou ao IQSC. Houve pessoas que entraram com pedidos judiciais para a obtenção e até manifestações foram feitas solicitando a liberação do medicamento.

Quem convive ou já conviveu com um caso de câncer na família ou em amigos próximos, sabe que a esperança é um dos fatores que move o tratamento. O que a “pílula do câncer” criou foi exatamente isso: alta expectativa de cura para uma doença devastadora. Quando se trata de salvar (ou prolongar) a vida de entes queridos: pai, filho, avô ou amigo, o ser humano é capaz de realizar muitas atitudes. Se é correto ou não, não cabe a nós julgarmos. Depois de diversos testemunhos favoráveis ao uso da pílula, até mesmo eu, se precisasse, lutaria para obter a substância milagrosa. Sejamos mais humanos e empáticos com as pessoas que vivem ao nosso redor que possuem angústias, problemas, expectativas e, principalmente, sonhos.

(*) Estudante de Comunicação Organizacional da UTFPR

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