Consciência Negra deve ser como o Dia das Mães

Julia Broens (*)

20 de novembro. A data, em 1695, é lembrada pela morte de Zumbi – último dos líderes do Quilombo dos Palmares, maior quilombo do período colonial – e por isso hoje marca o dia da Consciência Negra.

Criticado por muitos, o valor da data se perde em muitas discussões ao longo do Brasil. Brasileiros e brasileiras afirmam que a data tende a reforçar ainda mais o preconceito.

O que poucos lembram é do triste passado enfrentado pelos negros. Vindos para o Brasil como escravos – nem sendo considerados seres humanos – até hoje sofrem com o processo histórico. Marginalizados, são alvo direto do preconceito e do racismo.

O dia da Consciência Negra não reforça o racismo. A data tem como objetivo forçar o povo brasileiro a olhar para os negros, reconhecer o sofrimento que enfrentaram durante toda a história do país e as cicatrizes que se revelam em cada negro.

E esse é o desafio que a data enfrenta. Ainda é difícil enxergar esse povo e o exercício de tentar ver humanidade nos negros é difícil para aqueles que ainda têm a cabeça do século XVI. Negro não tem que ser escravo do passado. Negro tem que ser senhor da sua própria vida.

Há também a discussão se o dia da Consciência Negra deve ou não ser feriado. Pensemos em alguns dos feriados já determinados: Carnaval, Tiradentes, Independência do Brasil e Proclamação da República.

O Carnaval é um período de festas e é considerada uma festa genuinamente brasileira. O povo brasileiro é genuinamente negro: em 2013, 53% dos brasileiros se autodeclararam negros.

Tiradentes foi uma figura importante para a história do país: Zumbi dos Palmares também é citado pelos livros de história e mesmo assim não se tem a data de sua morte marcada por um feriado.

A Independência do Brasil e a Proclamação da República são marcas que determinaram o caminho a ser traçado pelo país. O povo negro também tornou o Brasil hoje tal como o é.

A data da Consciência Negra deve sim ser defendida para que se tenha força e que o seu sentido inicial seja respeitado. Torcemos para que, algum dia, a data seja como o Dia das Mães: reconhecemos a importância da figura do negro durante todo o ano, mas em uma data especial, viramo-nos e celebramos a relevância dentro da sociedade e na vida de todos.

(*) Aluna do COMUT-UTFPR.

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