PERFIL: Patrícia Montaño, uma profissional de (muitas) garras

patricia

Luciana Furtado (*)

Sabe aquelas pessoas que conseguem realizar seu sonho de criança? Patrícia Yukiko Montaño é uma delas. Desde os nove anos, Patrícia sabia que seu futuro estava na área veterinária. Fascinada por animais desde cedo, principalmente os felinos, tinha como hobby filmar os partos de suas gatas e depois ajudá-las a cuidar de seus filhotes.

Hoje, aos 29 anos, possui graduação em Medicina Veterinária, mestrado em um projeto dedicado a estudar a correlação entre agentes infecciosos em felinos (Hemoparasitas, FIV e FeLV), e atualmente estuda para concluir seu Doutorado com enfoque na pesquisa sobre uma importante doença que ocorre nos felinos, a Leucemia Viral Felina (FeLV), na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Seguindo sua paixão pelo mundo felino, Patrícia buscou experiências neste ramo desde o início de sua vida profissional, como na primeira clínica brasileira exclusiva para gatos, Clínica Gatos & Gatos, no Rio de Janeiro, e na Alamo Feline Health Center, no Texas.

“Trabalhei durante dois meses na Alamo Feline Health Center e foi uma experiência incrível. O que mais me impressionou foi a agilidade no diagnóstico devido à estrutura da clínica e qualificação dos profissionais, foi um aprendizado muito grande. A rotina de atendimentos era muito grande, acompanhava cerca de 15 a 20 atendimentos de felinos por dia. Devido à casuística, a experiência dos veterinários era muito grande então pude adquirir muita informação nova com eles. A estrutura da clínica possibilitava tratamentos diferenciados como radioterapia e nos EUA há muitos medicamentos, vacinas e rações de prescrição que infelizmente ainda não temos acesso no Brasil”, diz.

Apesar da domesticação do gato ter se iniciado há cerca de 5000 a.C., no Antigo Egito, ainda há muita desinformação e mistificação sobre esse universo e “no que se refere à medicina felina, ainda estamos engatinhando”, afirma Patrícia. Tudo indica, no entanto, que é uma especialidade em expansão, até mesmo porque no Brasil o número de gatos de estimação está quase ultrapassando o de cães.

Um dos maiores obstáculos da profissão é sua valorização. Patrícia conta que muitas pessoas não conseguem ver a importância do médico veterinário, e consequentemente há uma desvalorização financeira. Assim como nós, os animais também precisam de acompanhamento e visitas regulares a clínicas, principalmente quando há uma doença grave envolvida, como a citada anteriormente, Leucemia Viral Felina. Desconhecida para muitos, a FeLV é transmitida através das secreções do animal e pode agir de forma bem agressiva, às vezes levando à morte, mas com um acompanhamento profissional é possível proporcionar uma vida normal ao gato portador do vírus.

Devido à natureza mais introvertida dos gatos, Patrícia e sua sócia, a também médica veterinária Karina S. Kagy, viram a oportunidade de oferecer um serviço diferenciado, atendimento domiciliar exclusivo para felinos e em 2012 abriram sua clínica, Saúde Felina.

“Muitos clientes preferem o atendimento domiciliar para seus gatos pois são animais muito sensíveis ao estresse de serem transportados e levados para locais diferentes de seu território”, diz Patrícia.

A Saúde Felina oferece diversos serviços: consulta com manejo diferenciado, coleta de materiais para exame, vacinação e desverminação, aferição da pressão arterial, fluidoterapia subcutânea, acompanhamento de gatos idosos e doentes crônicos, castração de machos e fêmeas, parceria com ultrassonografia móvel (VetMek) e parceria com Hospital Veterinário 24h (Pró Vita). Os atendimentos são realizados com hora marcada após contato via telefone ou e-mail.

Em meio a todos seus afazeres e pacientes Patrícia ainda encontra tempo para realizar um louvável trabalho voluntário: realiza resgates de gatos em situações de risco, até mesmo com puçá quando o animal é mais arisco, os trata e cuida para então colocá-los para adoção. Realiza também mutirões de castração, chegando a castrar 30 gatos num só dia. Numa cidade em que o número de animais abandonados é de aproximadamente 450 mil é extremamente valioso o trabalho que Patrícia e muitos outros protetores realizam.

Um dos primeiros cuidados que se tem com um animal resgatado é a castração, uma medida que ainda enfrenta preconceito, mas que melhora a qualidade de vida do animal e salva vidas, pois um casal de gatos pode gerar 12 filhotes em um ano e estes muitas vezes são abandonados.

Depois de todos os cuidados necessários, Patrícia busca lares seguros para seus, carinhosamente apelidados “resgatinhos”.

“Procuro sempre conversar bastante sobre a experiência que a pessoa já teve com outros animais de estimação. Como eram os cuidados com eles com relação a idas ao veterinário, qualidade de alimento que oferecem, o quanto se importavam com os animais e se esses animais tinham acesso à rua ou não. A questão das telas é sempre um tópico bem discutido nessa hora, pois se percebo relutância em aceitar a ideia já vejo que não se trata de um bom adotante”.

A Médica Veterinária também comenta que hoje as pessoas estão muito mais receptivas para a adoção de animais sem raça e que 90% de seus pacientes são SRD. Segundo ela, cresceu o número de protetores dispostos a conscientizar sobre a questão dos animais abandonados, assim como a Prefeitura tem trabalhado mais em cima desta questão.

Com uma rotina tão corrida é fundamental poder contar com o apoio de pessoas próximas, como seu marido, Gabriel. Apesar de não gostar muito da ideia de dividir sua casa com às vezes sete felinos, o amor de Patrícia pelos gatos o contagia e seu carinho pelos bichanos cresce a cada dia.

Basta checar no site ou na página da Saúde Felina no Facebook para ver o carinho que clientes têm pela Veterinária, resultado de um trabalho feito com muita atenção e paixão pela profissão. Muitas vezes a desvalorização da profissão pode desanimar, mas com o apoio de Gabriel e suas gatas, Angie, Judy e Piper, a Dra. Patrícia ainda poderá mudar a vida de muitos animais.

Saiba mais em: Saúde Felina

(*) Aluna do COMUT-UTFPR.

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