O país que esqueceu o futebol

Gabriel Fernando Nunes (*)

Hoje faz exatamente um ano da inesquecível aula que a seleção alemã de futebol deu à brasileira. Nesse um ano que se foi, muitas críticas ferrenhas foram feitas ao futebol apresentado pelos atletas que vêm defendendo a camisa verde e amarela. Mas o problema começou mesmo no 7×1? Bem, quem acompanha com o futebol brasileiro com certeza sabe que não.

A escassez de grandes nomes no futebol brasileiro se deve à má gestão e falta de paixão pelo futebol e por uma crescente paixão pelos negócios. Garotos que com 15/16 anos são enviados ao exterior por pequenas fortunas, promessas, apenas promessas, que poderiam se tornar realidade, mas não se pode perder um negócio, é o mercado.

As joias não são mais lapidadas, são comercializadas e quanto mais melhor. Vamos esquecer a arte e paixão, esqueçam os títulos, esqueçam as arquibancadas e seus gritos apaixonados. Queremos montanhas de dinheiro, número nas contas

Mas ao nos depararmos com o futebol nacional, onde está esse dinheiro? Clubes tradicionais indo à falência, estádios caindo aos pedaços, cartolas e empresários com os bolsos cheios. Esse é o futebol brasileiro.

A decadência se vê nos estádios vazios, e futebol amargo, sofrido, corrompido, sujo. A corrupção nunca foi uma novidade no nosso país, mas no nosso futebol? Sim, e não é de hoje, mas apenas agora se fala em decadência devido aos atos ilícitos realizados pelas entidades de futebol nacional (e internacional).

Por que só agora? Porque antes estávamos bem, tínhamos Pelé, Garrincha, Zagalo, Zico, Sócrates, Romário, Rivaldo, Ronaldo. Nem todos foram campeões, mas jogavam. Eles resolviam. Faziam arte. Tantos craques.

Deixamos de gerar jovens talentosos? Não, eles estão por aí, jogando seu futebol, esperando uma oportunidade, esperando que algum empresário ache que valha a pena, e alguns milhões, expor sua arte no gramado. Não somos mais o país do futebol. Não somos mais a pátria de chuteiras. Talvez nunca tenhamos sido.

Duas copas em nosso solo, duas amargas lembranças. Em ambas as ocasiões os idealizadores que trouxeram o evento tentavam mostrar algo: um Brasil forte. Em 1950 Getúlio tentava mostrar para o mundo o Brasil, uma promessa de potência, que se mostrava depois da Segunda Guerra.

Em 2007, Lula tentava mostrar ao mundo que já éramos uma potência consolidada diante de uma crise financeira mundial. Grandes eventos, mas e o futebol? Não deu certo. O futebol não gosta da sua casa. Ou será que a sua casa não gosta do futebol?

Seguimos esquecendo do futebol disputado com vontade e paixão, e nos tornando aquela seleção que um dia foi grande. Os talentos estão dispersos, nas mãos daqueles que comandam o nosso futebol. Ao contrário do que disse um conhecido cartola do futebol brasileiro: o respeito se foi.

(*) Aluno do CTCOM-UTFPR.

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