Marcha das Vadias acontece neste sábado em Curitiba

Em sua 5ª edição em Curitiba, a Marcha das Vadias acontece no próximo dia 4 de julho e tem como principal grito a reinvindicação pelo aborto.

(*) Dayse Porto

Arte: Tayná Miessa

A capital paranaense recebe a 5ª edição da Marcha das Vadias que, com o tema “Vadias sabotando o Estado”, vai às ruas no próximo sábado, com concentração às 10h30, na Praça da Mulher Nua (Praça 19 de Dezembro).

Planejada há meses coletivamente por mulheres organizadas na cidade, em 2015 a Marcha das Vadias de Curitiba vai às ruas pelo direito e autonomia ao próprio corpo, contra a violência do Estado, pela não culpabilização da vítima, pelo fim do extermínio da juventude negra, pela despatologização das identidades trans e pela não criminalização da pobreza.

A Marcha sairá da Praça da Mulher Nua, às 12h, em direção a imagem da Nossa Senhora da Luz (Rua Barão do Serro Azul), seguindo até a imagem Maria Lata D’água (Praça Generoso Marques) tendo fim com uma confraternização na Boca Maldita.

Em cada uma das paradas, será realizado ato simbólico em apoio aos professores massacrados pelo Governo do Estado no dia 29 de abril, ato das Mulheres Negras, ato das Mulheres Trans — com o Transgrupo Marcela Prado de Curitiba, e ato pelo aborto. São esperadas aproximadamente 2 mil pessoas marchando este ano.

O organização da Marcha das Vadias também está vendendo botons a R$ 2, ou 3 por R$ 5, camisetas brancas personalizadas a R$ 20, camisetas personalizadas coloridas a R$ 25 e ecobags personalizadas por R$ 5.

 

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“Só por cima do meu cadáver!”

Quinta maior causa de mortes maternas no Brasil, o aborto induzido é considerado crime. Segundo um estudo da Universidade de Brasília (UnB), uma a cada cinco mulheres com mais de 40 anos já fizeram, pelo menos, um aborto na vida. De acordo com os dados do o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) existem 37 milhões de mulheres nessa faixa etária, portanto estima-se que 7,4 milhões de brasileiras já fizeram pelo menos um aborto na vida.

Ainda assim, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, foi enfático ao dizer que “O aborto e regulação da mídia só serão votados passando por cima do meu cadáver”, na primeira semana de seu mandato na Casa. Foi assim que começamos os tempos sombrios com o Congresso, que está sendo cunhado de “o mais conservador desde 64”.

O peso dessa afirmação recai constantemente na violência cometida contra mulheres. O deputado evangélico de 56 anos, fiel da Igreja Sara Nossa Terra, não apenas não pretende pautar a legalização do aborto, como pretende impedi-la.

Em um país com taxa anual de 527 mil tentativas ou casos de estupros consumados, dos quais 10% são reportados à polícia, segundo um questionário sobre vitimização do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o aborto é considerado crime. Em vigor desde 1984, o Código Penal Brasileiro categoriza o aborto como crime contra a vida humana, prevendo detenção de 1 a 3 anos para a mulher que o praticar.

A Marcha das Vadias de Curitiba questiona a criminalização vinda de uma sociedade — muito bem representada por Eduardo Cunha — escandalizada com a palavra vadia, mas que não se escandaliza diante da violência diária e institucionalizada contra às mulheres.

Marcha das Vadias 2015: Vadias Sabotando o Estado!
Sábado, dia 4 de julho, na Praça da Mulher Nua, às 10h30.

*Dayse Porto é aluna do CTCOM.

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