Hotel, porém Tecnológico

O engenheiro Jean Wolf apresenta projeto de pedal para guitarra em feira da UTFPR - Hellen Ramalho

O engenheiro Jean Wolf apresenta projeto de pedal para guitarra em feira da UTFPR – Fotos: Hellen Ramalho

Hellen Ramalho e Luciana Furtado (*)

Ao ouvir a palavra hotel, é normal pensarmos em um lugar turístico, com acomodações e estrutura que são classificadas em estrelas: uma, duas, três, quatro ou cinco. Muitos estudantes da UTFPR – Câmpus Curitiba, ao saberem da existência do Hotel Tecnológico, se confundem com o termo.

O Hotel Tecnológico faz parte da Divisão de Empreendedorismo e Inovação (DIEMI) da UTFPR, que engloba também a Incubadora de Inovações Tecnológicas, localizada na sede Ecoville. O HT encontra-se na sede Centro, bloco Q, e também abriga hóspedes, estes, no entanto, são estudantes que desejam hospedar suas ideias que virão a se tornar projetos ou empresas.

Sua estrutura é basicamente a de um coworking, com oito boxes localizados um ao lado do outro, permitindo a interação e troca de conhecimentos entre os hóspedes. O Hotel também disponibiliza material de escritório e assessoria gerencial.

Como ingressar no Hotel Tecnológico? É preciso ser aluno, ex-aluno ou servidor da UTFPR, possuir perfil empreendedor e apresentar seu plano de negócios seguindo o edital fixo aberto pela DIEMI. Os projetos podem se hospedar por até dois anos por uma mensalidade de R$60.

Para mais informações visite o Hotel ou mande um e-mail para: proem.ct@gmail.com

 

Entrevistamos alguns dos hóspedes do Hotel Tecnológico para ter um panorama melhor de como é ser um jovem empreendedor e seus desafios.

 

Bruno Kulchetscki, 24 anos, estudante de Engenharia Mecânica na UTFPR, empresa Riverso

“Meu projeto é desenvolver uma máquina protótipo que recicle plástico, latas de alumínio e vidro de forma automatizada”.

O estudante de Engenharia Mecânica Bruno Kulchetscki

O estudante de Engenharia Mecânica Bruno Kulchetscki

Motivações

“Minha motivação é saber que não existe no mercado local esse tipo de produto, saber que tem um grande potencial e saber que tenho conhecimento disso. Até porque morei fora e vi que tem coisas similares fora que deram certo com um público parecido com o nosso, então tem uma grande chance de dar certo. E se não der certo é uma tentativa que tem que ser feita”.

Intercâmbio na Alemanha

“Foi bom porque eu consegui aprender a língua, uma língua diferente, consegui ter um contato com pessoas que têm uma mentalidade um pouco diferente. Estudei lá, consegui ver também a diferença do estudo, como é feito, e trabalhei também, o que me ajudou a pensar nas coisas que estou pensando agora. Tudo gerou melhoras. Fiquei lá por um ano e meio”.

Colocando em prática

“A vantagem do projeto seria que eu tentaria aplicar para o mercado de forma padronizada, então todas as redes de supermercados, grandes, médios, entrariam como parceiros. Ou seja, estabeleceria o produto e teria o mercado definido, com isso teria uma reciclagem muito maior do que é feito hoje em dia. A nossa reciclagem aqui do Brasil, a única que é alta é a de lata de alumínio, porque o consumo é muito grande. O plástico é o X da questão, pois a produção é muito alta e a reciclagem é de cerca de 30% apenas. Então se explorar isso a gente consegue melhorar muito a qualidade de vida e gerar um lucro tanto para mim, que seria o vendedor das máquinas, quanto para o comprador do produto”.

Investidores

“Já estou entrando em contato. Na verdade estou em processo de monitoria, então vai demorar mais um pouquinho para organizar melhor as ideias para apresentar e acho que mais um mês consigo ter uma posição um pouco melhor”.

Aceitação do projeto

“Para você ter uma ideia esse projeto já existe, ele vai ser um pouco diferente, vou mudar um pouco a ênfase dele, mas a base já existe, tanto que na Alemanha o país inteiro já adotou isso. Padronizou no país inteiro. Se eu conseguir padronizar isso em Curitiba, que é uma “cidade ecológica”, e der certo então consigo gerar um padrão nacional. Gerando um padrão nacional talvez eu consiga criar um padrão continental, América Latina. Tem um potencial grande. E se não tentarmos crescer e melhorar nosso meio social não adianta nada, então estou tentando fazer algo que contribua com tudo, que não traga prejuízo e beneficie todo mundo. Que não tenha desvantagem”.

Hotel Tecnológico

“Estudo aqui já faz um tempo, então já tinha pesquisado, já tinha visto, já tinha conversado aqui antes, mas como fiquei um tempo fora, fiquei dois anos e meio fora, então até voltar… Já tinha vontade antes de abrir alguma coisa, mas agora posso efetivamente fazer alguma coisa. Apresentei duas ideias e não gostaram da primeira. A meu ver era interessante, mas a atual é mais viável, então me orientaram, tive que refazer, rever os conceitos, mudar muita coisa até chegar ao ponto em que era possível começar alguma coisa”.

 

Diego Tsusumi, 26 anos, formado em Engenharia Eletrônica na UTFPR, empresa Maze Pedals

Maze

“Eu tive essa ideia quando estava no 5° período da faculdade, sempre quis desenvolver esse projeto, mas nunca tive conhecimento técnico suficiente, não tinha quem me apoiasse também. Depois que eu me formei aqui foi um lugar que escolhi porque tinha contatos de professores conhecia os supervisores do HT”.

“Eu e o Jean (sócio) decidimos fazer um protótipo e tentar aplicar aqui o projeto e deu certo. Estamos aqui desde novembro e está evoluindo bem o projeto, depois que tem um lugar físico para ficar para discutir e etc. Você precisa de um espaço físico e isso está sendo importante”.

“Nosso protótipo consiste num controlador de pedais analógico de guitarra, então tem vários pedais de guitarra, a gente pluga atrás e faz um gerenciamento, armazena na memória os presets e gerencia a ativação dos pedais”.

Aceitação

“A galera em geral gosta, porque tem aquele apelo: ‘Ah, é música’, é uma coisa que geralmente traz felicidade para pessoa, porque é música e agrada as pessoas quando elas ouvem que é um projeto de música, então é bem legal”.

“Nosso projeto ainda não existe no mercado, tem algumas soluções bem rústicas, mas é lá fora, Estados Unidos, Dinamarca”.

Investimento

“Então, pelas pesquisas a gente tem bastante empolgação do pessoal e tem alguns professores que eu conheço também de música que estão querendo que saia logo o projeto, para eles testarem e mostrarem para os alunos. Daí se ele ensina com o produto o aluno vai querer comprar também, então é um contato comercial bom. Teria que buscar investidor, mas nós estamos com problemas porque temos outros projetos, então a gente teria que focar bastante nesse depois que sair do HT. Nós pretendíamos estar vendendo desde maio, só que o projeto ainda não saiu, mas está bem perto de sair, esse mês ou mês que vem ele deve sair. Então se a gente começar a vender algum para testar já dá para ter alguma previsão de como pegar investimento e focar mais nesse projeto. O ideal seria termos parcerias com lojas de músicas, a gente iria produzir e vender para as lojas e elas venderiam para o cliente final. Esse tipo de parceria seria o ideal”.

 

Gustavo Rech, 25 anos formado em Engenharia Eletrônica na UTFPR, empresas Tas e Puzzle Electronics.

O engenheio Gustavo Rech

O engenheio Gustavo Rech

Tas

“A Tas era um sistema que eu tinha começado só com desenvolvimento de hardware no meu TCC, daí eu transformei num sistema que automatizava ligações telefônicas e envio de sms. Eu comecei com ligação telefônica, desenvolvi o hardware que pegava o texto, transformava em voz, ligava para o telefone e falava a mensagem, depois incorporei sms e comecei a oferecer para as empresas tipo consultórios que precisavam ter uma interface com o cliente e para desenvolvedores que precisam que o software envie sms ou façam uma ligação. Então deixei disponível essa plataforma de integração. Enfim, no momento em que tive que me desfazer do sistema eu ofereci para as empresas que já tinham integrado o software para ver se elas queriam instalar dentro das empresas delas, algumas aceitaram e eu acabei me desfazendo da Tas, me desfazendo não, passei ela para eles e comecei um projeto novo”.

Puzzle Electronics

“A empresa tem como objetivo desenvolver produtos eletrônicos que facilitem os usuários a automatizar tarefas, então os dois produtos que eu estou desenvolvendo agora são um interruptor de lâmpada sem fio para economizar fiação na hora da instalação ou para deixar do lado da cama e desligar a lâmpada mais fácil, e um dosador de bebidas, você coloca a garrafa de destilado e o equipamento automatiza a separação em doses. É para bares, para automatizar o trabalho deles e ajudar na precisão das doses.

Os produtos ainda estão em fase de prototipagem, eles ainda não estão prontos pra divulgação. Fiz a primeira palestra sobre essa empresa e falei: ‘Estou no início do negócio, ainda não está pronto pra divulgação”.

Por que Puzzle

“Eu não lembro ao certo quando me ocorreu isso, mas eu tinha alguma coisa de quebra cabeça em mente e estava pensando em montar uma empresa de prototipagem, mas repensei e decidi montar uma de eletrônicos. Ah, vou aproveitar o puzzle, e querendo ou não quando você está montando os protótipos não deixa de ser um quebra-cabeça que você está montando então veio a calhar. Outra coisa que eu descobri e estou aproveitando é design, por exemplo, eu faço controle remoto e o suporte deles, faço em formato de quebra cabeça apoiar no outro, encaixados”.

Objetivo

“Meu objetivo prévio e longo é desenvolver esse projeto, não penso em outra coisa. Tenho que fazer ele dar certo de qualquer jeito”.

Carreira

“Eu trabalhei 3, 4 anos lá na GVT, me formei como trainee lá dentro da empresa e percebi que não era aquilo que queria. Tinha outras ambições que não iria satisfazer lá dentro. Eu vi que estava ficando muito relacionado com a empresa e cada vez que você vai subindo de nível e ganhando responsabilidades você fica mais preso à empresa. Pensei: ‘agora é a hora de sair senão não vou conseguir me desligar depois’, então pedi demissão e fui correr atrás dos projetos que eu tenho e também me formar porque na época eu ainda não tinha me formado”.

Hotel

“Como eu tinha pedido demissão do meu trabalho e já sabia do HT, pensei: ‘Vou me hospedar no hotel e ter um local físico para desenvolver meus projetos’. Na época em que entrei aqui só tinha eu de empresa, aliás, tinha uma empresa de games, só que eles ficavam jogando o dia inteiro e não faziam nada, então para entrar não era muito concorrido. Enfim, eu também já tinha experiência com plano de negócio, e a 1° vez que e cheguei aqui o supervisor falou que era isso mesmo que eles queriam e não precisava modificar nada, já deixei o plano aqui no dia e depois de uma semana ele me chamou, hoje eu não sei se é assim”.

Concorrência

“Antes não tinha concorrência nenhuma, hoje tem, mas falta melhorar porque muitos chegam aqui sem saber o que querem. Eu fiquei mais de um ano sozinho aqui, sem nenhuma empresa. Nesses lugares a melhor coisa que pode acontecer é eles estarem cheios porque o network, a troca de comunicação é o que você pode ganhar”.

Investidores

“Por enquanto eu não preciso de investidores. Para a Tas eu tinha trabalhado por um bom tempo, então quando sai da GVT tinha dinheiro para arcar com os custos e agora eu também desenvolvo alguns projetos de consultoria para outras empresas, etc. E por enquanto, tudo que preciso fazer não precisa de investimento”.

“Acho que qualquer projeto no início não precisa de dinheiro, tinham muitos projetos que entravam aqui e as pessoas iam perguntar já na primeira semana como eu fazia pra ganhar dinheiro, mais eles não tinham nem produto, não tinham feito nada, tanta coisa que você pode fazer sem dinheiro, seu plano de negócio pra começar a desenvolver as ideias ou conseguir parceiros, tem muita coisa que você pode fazer sem dinheiro, então pra você precisar realmente de investimento tem que estar numa fase mais avançada do projeto, mas a grande parte das pessoas entra nesse meio porque olham as notícias de que tal empresa conseguiu não sei quantos milhões de investimento, daí eles acham que é assim: ‘Ah, eu vou colocar a minha ideia ali, daí alguém vai apoiar com o dinheiro e eu vou pegar e gastar como quero’, mas não é assim, esse é o final da história e não o começo”.

(*) Alunas do COMUT-UTFPR.

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