Diretor do Câmpus Curitiba, Cézar Romano, fala sobre a mudança de sede da UTFPR

Nayara Correa, Mirian Camargo e Willian Saizaki (*) 

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) oficializou neste ano a compra do terreno onde ficava localizada a fábrica da Siemens, situada na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Nesse espaço, a instituição pretende instalar a sede do Câmpus Curitiba. Com isso, haverá ampliação das áreas para os cursos, criação de novos cursos e oferta de mais vagas para os estudantes.

Para entender o processo de mudança pelo qual a Universidade Tecnológica está passando e dirimir as dúvidas dos estudantes da Instituição e da sociedade, entrevistamos Cezar Augusto Romano, diretor do Câmpus Curitiba.

 

AG: Qual o motivo dessa mudança?

Romano: O motivo é que, onde estamos hoje, nós estamos há 20 anos com a transformação do CEFET em universidade, as ações dos estudantes e dos professores, o motivo da existência da universidade deseja laboratórios, ambientes físicos que aqui no quarteirão não tinha mais possibilidade. Nós não tínhamos nenhum horizonte, nenhuma perspectiva de futuro permanecendo aqui. A ideia de buscarmos outros espaços, e estamos com uma demanda de 20 anos, agora conquistamos. A ideia é conseguirmos espaços físicos para melhoria do desempenho das atividades acadêmicas e de pesquisa.

Como foi feita a escolha do local para a nova sede?

O espaço do local não foi escolhido, o que aconteceu na verdade foi que nós queríamos um espaço bem maior, mas no município de Curitiba não existe uma área, hoje, para fazermos uma nova universidade. A minha ideia era conseguir pelo menos 1.000.000 m² para começar uma universidade, mas em Curitiba não tem. Então, existiam outras áreas, em Campo Largo, São José dos Pinhais. Essa área que surgiu foi posta à venda. São 250.000 m² e é uma área bem mais significativa do que a que temos hoje. Por isso buscamos essa área.

Todos os cursos serão migrados?

Não. Estamos discutindo isso desde o dia 10 de março, passei para todos os professores, fiz uma reunião no teatro, pedi que discutissem durante 90 dias em seus departamentos, qual seria sua perspectiva de futuro. Pedi para que cada departamento, na sua especialidade, discutisse seu futuro até 2030. Com esse horizonte, vamos, a partir de junho, nos 60 dias, definir a partir das demandas que vierem como será feito o layout dessa mudança, se nós ficaríamos com duas sedes, Ecoville e a nova sede, ou permaneceríamos com três, a sede Centro, a Ecoville e a nova sede.

Tem uma previsão para essa mudança?

A minha perspectiva é começar as atividades na sede nova em 2016.

Após essa mudança de campus, o que acontecerá com a sede Centro?

A sede Centro fica na dependência de se formos todos para lá, ou se algumas atividades permanecem aqui. Aqui na sede centro na parte histórica, prédio histórico, que vai desde a faixada na Westphalen, Sete de Setembro e a Silva Jardim, do teatro até o ginásio, fica a reitoria. A reitoria fica aqui no centro, e o campus Curitiba, que fica sediado na Pedro Augusto, 2601.

Qual o diferencial do campus Ecoville e o novo campus no CIC?

O diferencial são as áreas que cada um contém. Na sede Ecoville permanece com as áreas já existentes que é engenharia civil, a química e a biologia, e a Mecânica que só falta fazer a mudança. E na nova sede, vão todas as demais atividades. A princípio aquelas com laboratórios mais pesados, a área elétrica, eletrônica, eletrotécnica, informática, desenho industrial e educação física. Essas com certeza irão, as demais áreas estamos na discussão.

Houve resistência após a divulgação do novo campus?

Qualquer mudança vai existir resistência. Já passamos por isso quando foi feita a mudança para a sede Ecoville, também havia muita resistência, afinal de contas estamos aqui há 80 anos. Sair de um lugar onde as pessoas estão acostumadas a ficar durante 80 anos, pelo menos quem está aqui, como eu há 35 anos estou aqui, qualquer mudança há uma reação. É do ser humano. Mas o que nós vamos fazer é trabalhar o porquê, as motivações, as resistências e amenizar isso para a nova sede.

Você tem conhecimento de quais são essas resistências?

A minha preocupação com as resistências é que a maioria das motivações das resistências são fundamentadas no desconhecimento do próprio local novo, então a pessoa fala: “Ah, é muito longe”, “ah, não tem transporte”, “ah, é inseguro”, “ah, vou ter que fazer muitas modificações”, de quem não visitou a nova área. Então, tenho pedido desde março, tem ônibus à disposição, quem quiser visitar a nova área visite a nova área para que nós possamos discutir com fundamentação.

Qual a perspectiva da universidade para os próximos anos?

A perspectiva agora com as novas áreas, podemos voltar a ter crescimento. Estávamos com muita dificuldade, por exemplo, até de colocar à disposição da sociedade novas vagas dos cursos, mesmo de graduação, porque não temos como colocar mais alunos no espaço que nós temos. Nós temos hoje 11 mil estudantes, que estudam aqui na sede Centro e na sede Ecoville. Então nós estávamos até resistindo a abrir novos cursos de graduação porque não tínhamos condições de atender com salas de aula, laboratórios adequados para seu desenvolvimento.  Com a sede nova, a gente vai ampliar, abrir os cursos que já estão preparados. Temos quatro cursos de graduação para serem abertos: Mecatrônica, Engenharia e Processo Ambiental, Letras-Português e Letras-Inglês. Esses quatro cursos serão abertos, ampliando o número de vagas, já com a possibilidade de ter novos espaços físicos, seja aqui no centro mais ampliado, ou seja, centro e nova sede mais ampliados, além dos programas de pos-graduação, que já estão na Capes para serem aprovados em 2016.

 

Já existem alguns programas que estão em andamento também?

Nós encaminhamos, se não me engano, quatro projetos de cursos de pós-graduação. Acho que Física, Educação, Matemática, não tenho de cabeça todos os cursos, mas me parece que foram quatro projetos que enviei para já abrir em 2016. Então, a ampliação, tendo mais espaços físicos, são mais laboratórios, mais projetos, e também, sem deixar de falar nas parcerias com as empresas. Estávamos com dificuldades de ter novos projetos de pesquisa em parcerias com as empresas. Agora estamos retomando essas parcerias. São vários projetos que estavam em stand-by e agora estamos reativando.

(*) Alunos do COMUT-UTFPR.

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