Presidenciáveis de 2014 participaram de marcha contra Richa

1200 policiais foram destacados para reprimir os professores no dia 29 - Foto: Danielle Serejo

1200 policiais foram destacados para reprimir os professores no dia 29 – Foto: Danielle Serejo

Dayse Porto (*)

No dia 1° de maio o tradicional ato do Dia do Trabalho foi diferente em Curitiba. Milhares de pessoas caminharam de preto, símbolo de luto pelo massacre do último dia 29, da Praça da Mulher Nua até o Palácio Iguaçu, no Centro Cívico.

Segundo dados da APP-Sindicato, cerca de 20 mil pessoas compareceram ao ato que marcou a indignação da população com a violência empregada pelo Governo do Estado contra professores que protestavam contra a aprovação de mudanças na ParanáPrevidência.

No dia 29 de abril milhares de manifestantes foram até a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) protestar contra o projeto de lei 24/2015, que visa cortes de benefícios do funcionalismo público, alterações na previdência estadual, dentre outras mudanças.

O Governo do Estado enviou 1.200 policiais até a ALEP para deter os manifestantes e assegurar que a votação ocorresse. O “pacotaço”, como é conhecido o PL, foi aprovado por 31 votos contra 20.

Durante a caminhada, os deputados que votaram a favor do pacotaço de Beto Richa (PSDB) foram lembrados pelos manifestantes que carregavam cruzes e placas com os nomes de cada um e diversos cartazes pedindo respeito aos educadores e servidores do Paraná.

Na chegada ao Palácio, notou-se que havia dois camburões da Polícia Militar estacionados dentro prédio do Governo, fato apontado e criticado pelo dirigente da APP- Sindicato durante sua fala no carro de som.

A ex-presidenciável Luciana Genro (PSOL): apoio aos professores do Paraná — Foto: Danielle Serejo

Luciana Genro, candidata à Presidência da República em 2014 pelo PSOL, e Babá, vereador do Rio de Janeiro, também pelo PSOL, estiveram no ato e declararam apoio aos paranaenses e à causa dos professores.

Bernardo Pilotto, candidato ao governo do Paraná em 2014 pelo PSOL e Zé Maria, candidato à Presidência da República em 2014, pelo PSTU, também estavam presentes e uniram forças à luta dos educadores.

As bandeiras do Brasil e do Paraná foram abaixadas a meio mastro, diversas intervenções foram feitas nas ruas com escritas como “Fora Beto Richa” e “Menos bala, mais giz”, e a água do chafariz em frente ao Palácio foi tingida de vermelho, para simbolizar violência sofrida pelos manifestantes no dia 29.

“Não acabou, tem que acabar. Eu quero o fim da Polícia Militar!”

A violência cometida pelos agentes da segurança pública foi tão desproporcional que, dentre as palavras de ordem ditas pelos manifestantes, o pedido pelo fim da Polícia Militar foi um dos mais marcantes. Para Aline Vieira, estudante de Educação Física na UTFPR que compareceu ao Centro Cívico no dia 1°, a violência usada pelos policias não pode ser justificada, “Não precisava ser um ato de professores para que ficássemos indignados com o que aconteceu. A brutalidade vista no dia 29 não pode ser tolerada de forma alguma, em quaisquer que sejam as manifestações”, ressaltou a manifestante.

Professores fizeram um enterro simbólico dos deputados que apoiaram o pacotaço de Richa — Foto: Dayse Porto

Daniel Godói, da Comissão da Verdade Teresa Urban, nomeada pelo próprio Beto Richa, confirmou a entrega da recomendação n° 1/2015 , do Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR), endereçada ao Governador, ao Secretário de Estado da Segurança Pública e ao Comando-Geral da Polícia Militar do Estado do Paraná. Nesse documento, havia recomendações claras para adoção de medidas que respeitem os direitos humanos em manifestações. Também propunha a alteração dos currículos de policiais, com ênfase em direitos humanos e a desmilitarização da Polícia Militar.

Atualmente, as práticas usadas pela polícia no Brasil são anteriores a 1888, ou seja, herança de uma política de “capitão do mato”. A violência usada pela polícia de Beto Richa no último dia 29 reflete não somente a precariedade do sistema de segurança público brasileiro, como sua instrumentalização, onde uma parte da população é treinada e comandada a atacar outra categoria em prol do cumprimento da agenda política.

 

(*) Dayse Porto é aluna do CTCOM 

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