Seu Didi: entre discos e pipoca

Seu Didi, que há 38 anos trabalha na universidade: coleção de 10 mil discos é uma de suas paixões - Foto: Thuany Schmitz

Seu Didi, que há 38 anos trabalha na universidade: coleção de 10 mil discos é uma de suas paixões – Foto: Thuany Schmitz

Luciana Furtado e Thuany Schmitz (*)

Quem anda pelos corredores da UTFPR em alguns momentos específicos não consegue deixar de notar aquele aroma característico de pipoca fresquinha indicando que a hora do intervalo está chegando. O responsável pela pipoca mais amada pelos alunos e professores é o Seu Didi, e há quem não conheça seu sorriso largo e sua prosa.

Seu Didi (Edivaldo Batista Nogueira) chegou ao Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná, o antigo CEFET, que é hoje a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, em 12 de dezembro de 1977. Ele conta que, quando chegou, não sabia se ficaria dois dias ou dois anos, ia apenas ver como seria.

Quase 38 anos depois, não há quem não se encante pelo carinho do Seu Didi com a instituição. “Todos me ajudaram muito. Sempre fui muito bem recebido e todos os diretores que passaram me ajudaram muito”, conta saudoso, e completa: “Eu adoro trabalhar aqui. Às vezes parece festa! Trabalhar com jovem é muito bom, a gente sempre tem alguma coisa nova pra aprender. A gente é aluno a vida toda né? Com 68 anos eu ainda aprendo muita coisa com vocês.”

Seu Didi confessa que nos 38 anos que trabalha na UTFPR, alguns alunos acabaram se tornando mais especiais que outros. “Tem aluno que me adota como ‘pai preto’, vai almoçar na minha casa. É muita amizade mesmo.” Durante nossa entrevista, uma aluna tentou pagar a pipoca com cartão de débito. Como Seu Didi não possui a máquina de cartões, isso seria impossível. Mas nem por isso a aluna ficaria sem sua deliciosa pipoca. Seu Didi encheu um saquinho com a pipoca recém-saída do fogo e entregou à menina, que saiu feliz e garantiu que pagaria no dia seguinte.

Quando não está trabalhando, Seu Didi tem sua rotina de homem simples, que gosta de cuidar do quintal e da casa da praia, que está terminando, além de namorar a coleção de discos. “São 10 mil discos, a maioria nunca viu uma agulha. Não tem jeito não, a doença tá no sangue. Hoje mesmo comprei, ó.” Ele mostra orgulhoso a aquisição do dia: dois discos guardados com cuidado na sacola que resguarda a paixão antiga. Há dois anos o jornal Gazeta do Povo publicou uma matéria sobre a coleção, que rendeu novas histórias: “Recebi ligação de várias partes do Brasil e até da Alemanha. É tudo maluco, maluco que nem eu, não bate bem da cabeça”. Quando perguntado se venderia a coleção de discos por uma boa proposta ele responde com firmeza que não há dinheiro que pague. É o amor de uma vida.

Porém, a rotina acaba deixando suas marcas, principalmente depois de tanto tempo. Seu Didi sai de casa às 7h30 da manhã todos os dias, e volta quase meia-noite. Sobre o cansaço ele diz: “Foi um tempo muito bem vivido, mas logo eu vou me aposentar”. Ele garante que quem decide é Deus, mas que sua vontade é de encerrar as atividades quando essa história completar 40 anos. Então, para os desavisados fica a nossa dica: saboreie a pipoca feita com amor do Seu Didi enquanto ouve histórias incríveis.

(*) Alunas do COMUT-UTFPR.

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