Idosos viajam mais e movimentam setor de turismo

Danndriely Carneiro Mafra (*)

 

O aumento da expectativa de vida e melhores condições financeiras permitiram que a terceira idade ganhasse maior espaço na economia e adotasse novos hábitos. Segundo o relatório Envelhecendo em um Brasil Mais Velho, do Banco Mundial, até 2050 os idosos passarão de 11% para 49% da população economicamente ativa no Brasil. Atualmente, eles representam 20% do poder de compra, com um crescimento de 15% se comparado há 20 anos. A mesma pesquisa aponta que 70% dos idosos se julgam independentes financeiramente, o dobro de duas décadas atrás. A independência e a estabilidade financeira fazem com que a terceira idade seja a melhor para viajar.

O impacto na economia
A maior expectativa de vida impactou principalmente o setor de turismo. Quanto à frequência das viagens, a Fundação Instituto de Administração (FIA) aponta que mais da metade das pessoas acima de 60 anos viaja ao menos uma vez no ano, enquanto 32,9% viajam de duas a três vezes. Dados do Diário do Comércio de 2005 indicam que a terceira idade representa cerca de 20% do volume total vendido pelas agências de viagens. Para Danieli Pires, 29 anos, turismóloga social do SESC-PR, isso se deve ao fato de que a maioria já se encontra aposentado, o que permite mais tempo disponível para o lazer. “A disponibilidade de tempo faz também com que prefiram viajar na baixa temporada”, completa.
A possibilidade de se viajar na baixa temporada, além de garantir um passeio mais tranquilo, permite adquirir descontos nos pacotes e evitar possíveis gastos extras. Em pesquisa realizada neste ano com pessoas acima de 60 anos pelos estudantes de Comunicação Institucional da UTFPR, descobriu-se que um dos maiores empecilhos para se viajar é a falta de dinheiro. A pesquisa também apontou que os principais gastos dos idosos são medicamentos e meios para manter uma boa saúde. Lazer e viagens, apesar dos incentivos recebidos atualmente, ainda são as áreas com que menos se gasta.
Para promover o crescimento deste setor, o Ministério do Turismo criou o programa Viaja Mais Melhor Idade, que oferece a pessoas acima de 60 anos descontos em pacotes e serviços das empresas de turismo cadastradas. Estes programas não se tornam benéficos apenas para os idosos, já que movimentam indiretamente inúmeros setores de bens e serviços, além de envolver diversas instituições, como as prestadoras de serviço.

Serviços voltados à terceira idade
Com a maior representatividade na economia, empresas estão desenvolvendo serviços especializados para este público. O Serviço Social do Comércio (SESC) promove em suas sedes atividades que integram áreas de saúde, cultura, educação e lazer. No SESC Água Verde são oferecidas atividades como a dança livre, seresta, teoria musical e coral para a maturidade. Além disso, todas as quartas-feiras são feitas tardes dançantes, com o objetivo de valorizar os idosos e ampliar o círculo de amizades.
A rede de farmácias Nissei criou o Clube da Melhor Idade, voltado a aposentados, pensionistas ou maiores de 55 anos. O principal objetivo é promover a reintegração de idosos à sociedade, oferecendo aos associados descontos, cursos, passeios e viagens coletivas. Para se cadastrar ao projeto, basta ter 55 anos, ser aposentado e pensionista e apresentar o RG, CPF, documento da Previdência Social e comprovante de residência em qualquer farmácia da rede.

Viagem sem imprevistos
Os idosos fazem seu roteiro de viagem com a intenção de conhecer novos lugares e aproveitar o que o destino oferece de melhor. Apesar disso, são exigentes quanto aos preparativos para que o passeio não cause muitos imprevistos. Roseli Rocha, 68 anos, tem toda a sua preparação antes de viajar. “Checo a saúde para ver se está bem, a bagagem e o roteiro da viagem”, relata.
Em pesquisa realizada por estudantes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), conclui-se que, na maioria das vezes, os idosos não encontram dificuldades na viagem, devido ao preparo prévio. Mesmo assim, 18% consideram que ainda há falta de informação e descrição clara sobre produtos e serviços, demonstrando que as empresas ainda não estão completamente preparadas para receber esse grupo de pessoas adequadamente.
Mais tempo para viajar
A Fundação Instituto de Administração (FIA) mostra que mais da metade das pessoas acima de 60 anos viaja ao menos uma vez no ano, enquanto 32,9% viajam de duas a três vezes. Maria de Fátima Moreira Fidelis, de 60 anos, está enquadrada na primeira categoria. “Viajo pelo menos uma vez por ano para visitar a família”. Mas para ela, isso logo vai mudar. “A hora que eu me aposentar, parar de trabalhar, com certeza vou viajar mais”, complementa.
Nelson Arthur Prado Rodrigues da Silveira, 56 anos, recém-aposentado, conta que já fez viagens longas pelo Brasil e já planeja uma nova para o final de 2015. “Minha viagem dos sonhos é ir para a Patagônia de carro com os amigos também aposentados”, comenta. Para ele, as vantagens de viajar em grupo são muitas. “Dividimos as despesas, a segurança aumenta e temos a oportunidade de juntar pessoas com habilidades diferentes”. Com os filhos já crescidos, ele afirma que este é o melhor período para se viajar.

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(*) Aluna do CTCOM-UTFPR e do Curso de Extensão em Prática Jornalística.

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