Hip hop é uma manifestação da luta e afirmação da identidade negra

O grafiteiro Michel e o professor Everson: Hip hop é a expressão da luta contra o preconceito e o racismo

O grafiteiro Michel e o professor Everson: Hip hop é a expressão da luta contra o preconceito – Foto: Willian Hideo Saizaki

Willian Hideo Saizaki (*)

O evento “Consciência Negra em Foco”, realizado por alunos do segundo período de Comunicação Organizacional da UTFPR-Curitiba entre os dias 17 e 19 de novembro, contou com uma mesa-redonda com o tema “Hip hop entre a juventude negra”. A questão foi apresentada e discutida pelo professor Everson Luiz Eduardo, fundador do grupo de rap “Força de Expressão”, e pelo grafiteiro Michael Devis. O evento aconteceu na tarde de quarta-feira (19/11) no miniauditório da UTFPR-Curitiba.

Os palestrantes contribuíram para o entendimento do hip hop como movimento social, composto por quatro elementos estruturantes: música (DJ), poesia (MC), dança (break) e artes plásticas (grafitti). Assim, não se pode falar de hip hop como um desses elementos isoladamente.

Segundo os palestrantes, é comum a divulgação do hip hop como dança, principalmente na promoção de cursos de academia de ginástica. Trata-se, no entanto, de uma simplificação do termo, assim como é um erro entender rimas como sendo hip hop. Elas são um de seus componentes, o rap. Este significa ritmo e poesia, e é o acompanhamento do som pela técnica vocal do artista. Se não for vinculado aos demais elementos, o artista é apenas um rapper, e não um MC.

A origem do hip hop ocorreu no Bronx, bairro pobre de negros e mestiços de Nova York, no início da década de 1970. Lá, ocorria a reunião de várias pessoas, que inicialmente utilizavam a dança como aspecto de integração, com passos mais simples, de movimentar o quadril. De lá pra cá, todos os elementos do hip hop foram aperfeiçoados. Formou-se, assim, um movimento da periferia.

Em Curitiba, há vários grupos de hip hop. Ou melhor, há várias militâncias do movimento. No entanto, eles estão marginalizados do contexto cultural da cidade, mas acabam ganhando notoriedade em eventos ocorridos fora da capital paranaense.

O break, expressão corporal performada pelos b-boys, acontece à noite, no pátio do Shopping Itália, e é um dos exemplos da presença do hip hop nessa cidade.

Um dos elementos utilizados para envolver o jovem na escola, facilitando o aprendizado das disciplinas escolares, é o rap. Utiliza-se desse recurso para dar voz aos estudantes negros para uma inclusão na escola, com o objetivo de eliminar o preconceito.

Como o hip hop é integrador, seus membros não partilham a ideia de distinção racial. Consideram todos como seres humanos iguais, sem avaliação racial. Os elementos do hip hop colaboram com esse processo. Quem ouve, na música, não vê o criador das rimas; e, quem vê um graffitti, também não reconhece nessa arte, o seu criador. E, se não vê, não distingue branco de negro. Além disso, por se tratar de um movimento social inclusivo, seus membros não reforçam o preconceito, pelo contrário, utilizam-se do discurso para manifestar críticas a atitudes de inferiorização do negro.

A crítica ao racismo e a luta contra o preconceito encontra voz no movimento hip hop. Mas, o preconceito não deve ser visto como um fenômeno natural, mas como uma construção no interior da família. A criança repete na escola o que presencia no núcleo familiar. E, ações de aproximação e formação de grupos de trabalho com jovens de etnias diferentes nas escolas auxiliam na desconstrução de práticas de discriminação racial.

Assim, conforme os palestrantes, a juventude negra participa do movimento hip hop como forma de luta e afirmação de sua identidade.

(*) Aluno de Comunicação Organizacional da UTFPR-Curitiba.

 

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