Especialistas discutem religiões africanas na UTFPR

Gerson, Zama e Carlos: religiões afro-brasileiras ainda sofrem preconceito - Foto: Marcelo Lima

Gerson, Zama e Carlos: religiões afro-brasileiras ainda sofrem preconceito – Foto: Marcelo Lima

Mirian Camargo e Gabriela Nogarolli (*)

Ontem pela manhã (19/11), entre outras atividades relacionadas ao evento Consciência Negra em Foco, organizado pelo segundo período do curso de Comunicação Organizacional da UTFPR, aconteceu o debate com o tema Religiões Afro, que contou com a presença do teólogo e filósofo Carlos Monteiro (PUC-PR), do professor Zama Caixeta (UTFPR) e do umbandista Gerson Genovez.

O professor Carlos Monteiro afirmou que existe ainda um forte preconceito em relações às religiões afro-brasileiras. Segundo ele, isso se deve ao fato de que existem “políticas de totalização” na sociedade, que apresenta uma visão eurocêntrica das práticas culturais.

Para ele, o Brasil é um país diverso do ponto de vista cultural, mas nega a manifestação dessa diversidade nos espaços públicos, sobretudo quanto à questão religiosa. Em boa parte, afirma o professor, isso se deve à política de conversação e controle assumida pelo Cristianismo ao longo de sua história.

“O Cristianismo assumiu o papel de converter ou reprimir aqueles que não concordavam com suas ideias”, diz o professor, citando a Inquisição como um instrumento utilizado durante séculos para forçar a conversão daqueles que tinham outras crenças, como foi o caso dos judeus da Península Ibérica.

Para Monteiro, as religiões evangélicas pentecostais absorveram, na atualidade, os elementos de dominação da tradição católica, muitas vezes impondo sua vontade sobre as outra religiões. Esse poder, continua Monteiro, é garantido pelas articulações políticas da chamada “bancada evangélica” na política.

Monteiro chama a atenção para casos em que as religiões afro-brasileiras têm sido vítima de preconceito, inclusive em projetos de políticos evangélicos, em nome da liberdade de expressão e de religião garantidas na Constituição. “Até que ponto o direito de propor determinadas medidas em nome de uma religião é inquestionável”, pergunta o professor.

Segundo Monteiro, “é preciso agir com mais ética, refletir sobre as ações” que têm sido tomadas contra as religiões afro-brasileiras.

Umbanda

O umbandista Gerson Genovez, que falou sobre a história do surgimento da Umbanda, concordou com o professor Monteiro em relação ao preconceito que pesa sobre as religiões afro-brasileiras.

Ele lembrou que muitas vezes essas religiões são denominadas pejorativamente como “macumba”, sinônimo de feitiçaria e magia negra. Ele, no entanto, afirma que essa denominação faz parte da cultura religiosa africana, mas num contexto bastante determinado.

“Macumba era o nome da árvore usada por feiticeiros africanos para a confecção de um instrumento musical”, relata. Gerson conta que, quando manifestações afro-brasileiras surgiram no Rio de Janeiro, algumas pessoas buscavam os líderes espirituais visando praticar o mal. Daí a relação pejorativa da palavra “macumba”.

Gerson destacou que a Umbanda é uma manifestação religião que surgiu a partir da três elementos culturais: o xamanismo indígena, os orixás africanos e o espiritismo europeu, sendo uma prática autenticamente brasileira. “Ela inverte as relações de poder. O médium é o branco e os espíritos superiores são um índio e um negro”, explica.

Ao final da mesa-redonda, o professor e psicólogo Zama Caixeta falou sobre o fato de alguns antropólogos não considerarem a Umbanda como uma religião afro-brasileira e outros que a consideram como totalmente nacional.

Zama disse ainda que o sacrifício de animais é um rito muito importante para estabelecer relação entre os orixás e os seres humanos, nas religiões africanas. E que eles são usados em diversas religiões.

O professor comentou ainda a expansão das religiões pentecostais no âmbito político. Ele disse que ela inscrevem suas marcas e símbolos no âmbito político e econômico para estender o seu alcance na sociedade.

 

(*) Alunas de Comunicação Organizacional da UTFPR-Curitiba.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s