O narcisismo que vai até às urnas

A moda das selfies chegou às cabines de votação, durante as eleições do último domingo, configurando crime eleitoral

(*) Dayse Porto

Imagem: Reprodução/Internet.

O primeiro turno das Eleições 2014 aconteceu no último domingo (5) em meio a alguns imprevistos, como os problemas em alguns locais de votação com o sistema biométrico e a prisão de 1290 pessoas por crime eleitoral, entre elas, 80 candidatos. O caso mais absurdo foi o do Coronel Brito, candidato a senador pelo Alagoas, que deu um tapa no rosto de uma eleitora dentro do local de votação quando ela reclamou por ele querer furar fila.

As maiores polêmicas, porém, ficaram por conta das redes sociais. As “selfies na urna” causaram geraram polêmica entre os internautas e chamou atenção da justiça eleitoral. Muitas pessoas publicaram auto retratos na frente das urnas, muitas vezes mostrando a imagem dos candidatos, o que é considerado crime eleitoral.

Além dos populares, o ator Helio de La Peña também cometeu crime ao divulgar sua foto diante da urna. Não só infringiu o sigilo de voto, como também caracterizou boca de urna virtual, já que a foto foi para a rede social de Helio. Mesmo tendo sido excluída logo em seguida, a imagem ficou disponível tempo suficiente para que seus seguidores soubessem seu voto para a presidência.

Os dois crimes somados, propaganda no dia da eleição e boca de urna virtual, podem ser punidos com até um ano de prisão e multa que pode chegar a R$ 16 mil, de acordo com a lei nº 9.504, de 1997. Além do artigo 312 do Código Eleitoral Brasileiro, que determina o sigilo do voto.

A proibição do uso de aparelhos celulares e máquinas fotográficas nas cabines de votação foi instituída em 2009, na Lei das Eleições, e encontra-se em vigor desde então. Além disso, a Justiça Eleitoral lembra os eleitores da infração durante a campanha e no dia de votação, com diversos avisos nos postos. Ou seja, a alegação de desconhecimento da lei não pode ser considerada álibi.

A preocupação no caso das selfies, não é pelo excesso de vaidade que acometem os jovens do país — premissa que pode ser afirmada, se levarmos em conta a faixa etária da maioria dos infratores das selfies. “O que mais preocupa a Justiça Eleitoral não é a vaidade. É a situação em que uma pessoa seja coagida para levar um elemento de prova a quem comprou o voto”, disse José Antônio Dias Toffoli, presidente do TSE, que comentou os casos em uma entrevista coletiva.

Outras polêmicas

Na rede social Tumblr, foi criado um blog que divulga uma série de imagens de cunho preconceituoso contra os nordestinos, acusando-os de “atrasarem o Brasil”. Os ataques chegam a afirmar que os sulistas tiveram razão ao querer separar Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul do resto do Brasil, no movimento “O Sul é Meu País”, em 1992.

Em um país onde a soma de votos nulos, brancos e abstenções foi a maior desde 1998, com total de 27%, os eleitores se engalfinham nas redes sociais, cometem crimes eleitorais, de injúria, o preconceito voltou a ser o centro das atenções há algum tempo e, a maioria das pessoas não sabem dizer as propostas de campanhas dos candidatos a quem derem seus votos.

Debates intermináveis de quem é o melhor e quanto o outro é pior, embasados em discurso de ódio e intolerância à tudo que contraria suas opiniões. Esse é o retrato do eleitor brasileiro, diretamente refletido no decadente cenário político do país.

(*) Aluna do CTCOM-UTFPR e do curso de extensão em Prática Jornalística.

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