Renan Barão, uma lição de vida

Sábado (24), o brasileiro Renan Barão defende o cinturão dos pesos galos do UFC contra o norte-americano T.J. Dillashaw em Las Vegas, mas sua maior vitória na vida foi a luta contra a pobreza.

Foto: UFC / divulgação

Renan Barão comemora vitória no UFC. (foto: UFC / divulgação)

Aldebaran Campos (*)

Natural de Natal, Rio Grande do Norte, Renan do Nascimento Mota Pegado, o Renan Barão, teve uma infância muito difícil por conta da pobreza. Quando o lutador nasceu, sua mãe era muito jovem, apenas 14 anos, e o deixou sob os cuidados da tia, Inácia, e de sua avó, responsável pelo apelido “Barão”. Em entrevista ao canal SporTV, Renan contou a origem de seu apelido: “Nasci na época da novela do Barão de Araruna (personagem de “Sinhá Moça”). Minha avó gostava muito e me colocou esse apelido. Foi vontade dela mesmo, e pegou em tudo quanto é lugar. Desde aí, meus familiares e amigos me chamavam de Barão”.

Conheceu seu pai apenas aos 12 anos de idade, o pugilista Netinho Pegado, que chegou a ser campeão brasileiro peso-pena de boxe. Seu pai levou o garoto que gostava muito de brigar na rua para aprender artes marciais. Com isso, Barão deixou de arrumar confusões na vizinhança e começou sua carreira como lutador de boxe. ”Eu brigava muito na escola, estudava em colégio estadual. Eu era muito levado, brigava muito, recebia muita reclamação, tinha que ir com a mãe para a escola, senão eu não entrava. Eu apanhava, batia, era de todo jeito.” – diverte-se Renan Barão, contando sua história.

Destacou-se nas artes marciais dentro da academia Kimura-Nova União e fez sua estreia no MMA no dia 14 de abril de 2005, durante o torneio “Heat 3 – Metamorphis”, em Natal. Foi derrotado por João Paulo Rodrigues de Souza em decisão unânime dos árbitros, mas mesmo com a derrota, o então garoto Barão mostrava muito talento nos treinos e chamou a atenção da equipe matriz, a Nova União – Rio de Janeiro. Foi convidado a treinar na cidade maravilhosa, juntou o pouco dinheiro que tinha e viajou com muita esperança de conquistar um futuro melhor para sua família, mas em sua primeira noite na cidade, uma chuva muito forte alagou o sobrado em que ele ficaria hospedado e Barão ficou sem ter onde dormir. Depois do incidente, foi morar com alguns outros atletas da academia e conta que nessa casa os lutadores passavam o maior tempo possível dormindo, assim economizavam o dinheiro da alimentação e poderiam passar mais tempo treinando no Rio de Janeiro.

Com o passar do tempo e muito trabalho, a academia Nova União cresceu e Renan Barão, ao lado de seus companheiros de treino, como Marlon Sandro, Rony Markes e José Aldo, colocaram o nome da academia entre as maiores do mundo. O menino de Natal nunca mais foi derrotado e, no dia primeiro de fevereiro de 2014, enfrentou o norte-americano Urijah Faber pelo UFC 169. Venceu por nocaute ainda no primeiro assalto e tornou-se o campeão da maior organização de MMA do mundo.

Atualmente Barão soma 33 vitórias e apenas uma derrota, aquela em 2005, quando ainda era apenas um garoto pobre de Natal.

No sábado ele fará sua segunda luta pelo cinturão e o desafiante será o norte-americano T.J. Dillashaw que, em janeiro, venceu seu conterrâneo Mike Easton por decisão unânime dos árbitros e se credenciou a disputar o cinturão.

O Canal Combate exibe a luta entre Barão e Dillashaw no sábado, ao vivo, a partir das 20h (início das lutas preliminares), horário de Brasília.

(*) Aluno do CTCOM-UTFPR e presidente da AAASMA – Atlética de Comunicação e Design.

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