Intercâmbio social alia conhecimento e responsabilidade

Larissa Mehl (à direita), que passou um mês no programa Volunteering Peru

Larissa Mehl (à direita), que passou um mês no programa Volunteering Peru

Izabella Carvalho (*)

O intercâmbio social é um atrativo por permitir que o viajante tenha maior imersão na cultura do país visitado, mais contato com a comunidade local, crie um network e ainda obtenha a realização pessoal de estar ajudando a quem precisa.

É uma alternativa cada vez mais visada pelos estudantes devido ao fato de, na maioria das vezes, ser mais barato do que um intercâmbio convencional. Outro motivo para a escolha desse tipo de intercâmbio é que hoje as empresas se preocupam em contratar funcionários que participem de programas sociais e que tenham experiência no exterior.
A experiência de quem foi por conta própria

Graduada em Relações Internacionais, Larissa Mehl, que passou um mês no programa Volunteering Peru, conta que escolheu essa opção pela necessidade que sentia em ajudar pessoas e explorar a América Latina, que é sua área de atuação.
“Muitas vezes o simples turismo limita, e um intercâmbio social é a melhor maneira para realmente penetrar em uma realidade, o que é a grande meta do internacionalista.”
Larissa viajou por conta própria. Ela conta que descobriu o programa através de um fórum de mochileiros que frequenta na internet. Apesar de já conhecer a cidade de Cusco antes de fazer o intercâmbio, conta que não se preparou muito para a viagem: “Eu já trabalhei em agência, e os preços são mais altos, porque além da comissão existe conforto. Eu não queria nenhuma espécie de conforto, e não tinha muito dinheiro. Então fui por conta própria. Tive que calcular um voo barato, os impostos, o dinheiro e o que valia mais a pena. Foi mais fácil do que eu imaginava. Só precisamos dar o primeiro passo.”
A internacionalista se hospedou em uma casa de família que já havia recebido mais de 300 intercambistas. “Foi a melhor coisa que eu fiz. Desde que viajo, sempre preferi ficar sozinha ou dividindo com outros jovens, mas a hospedagem em família é uma alternativa coringa. Pode dar certo ou não.”
Larissa conta que recebia café da manhã, almoço e jantar da família, o que permitiu que ela aprendesse sobre a cultura culinária do país e não se preocupasse com a alimentação. Além do mais, passava pelo menos uma hora escutando histórias e trocando conhecimentos com as pessoas da casa e com os intercambistas.
Sobre os projetos realizados, Larissa realizava um no período da manhã, no qual trabalhava com crianças abandonas e deficientes, e outro pela tarde, com crianças que tinham família, mas trabalhavam na rua. “No começo foi difícil, porque muitas crianças falavam quechua, ou mal se comunicavam. Mas aprendi um pouco e fiz tudo para agradá-las. O que encontrei foram crianças muito inteligentes, mas obviamente carentes. Tinha que dar de comer, escovar os dentes, brincar com eles, ajudar a fazer exercícios, e tudo isso foi meio difícil.”
A viajante conta que viu muita pobreza e percebeu a necessidade dos latino-americanos realizarem mais voluntariados na própria região. Na Europa é comum que os jovens passem um ano de suas vidas realizando intercâmbio social, e talvez por isso Larissa tenha notado a presença europeia mais forte do que a de latinos no programa.
Além dos dois projetos, durante a semana Larissa aproveitava para fazer aulas de charango, um pequeno instrumento de cordas, e nos finais de semana podia viajar.
Agência em Curitiba
Em Curitiba, a agência Interconnect oferece várias opções de programas voluntários, que variam de acordo com o objetivo do viajante. O intercambista pode participar do Wildlife Conservation, que são projetos de preservação ambiental com a possibilidade de trabalhar com animais como leões, elefantes, macacos, tartarugas e outros animais; ou também do Teaching for the kids, projeto que envolve crianças carentes.
A Interconnect oferece o voluntariado em mais de 15 países e os mais procurados são na África do Sul, onde há possibilidades mais variadas de programas.
É possível conciliar o intercâmbio social com cursos de línguas, no qual o estudante pode ficar tanto em casa de família e ter maior imersão na cultura do país; quanto em residência estudantil, no qual o aluno terá contato com pessoas do mundo inteiro. Nos programas que incluem somente o voluntariado, é comum que o intercambista fique em alojamentos próximos às áreas de realização das atividades.
Os programas podem ser de 1 semana a um ano e a maioria deles exige nível intermediário de inglês, mesmo em países em que a língua inglesa não é o idioma oficial. É necessário que o viajante tenha mais de 18 anos para realizar o intercâmbio. A maioria já possui hospedagem e alimentação inclusas, o que torna o intercâmbio mais barato e atrativo.

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