Modelo social brasileiro não é o ideal, mas tem muita coisa a ensinar ao mundo, defende Domenico De Masi

Keren Moura (*) 

O sociólogo italiano Domenico de Masi, autor do livro “O Ócio Criativo”, lançado em 2000, realizou uma palestra em Curitiba no mês de outubro, onde analisou os vários períodos e definiu padrões sociais que se repetem ou modificaram-se com o tempo.

Focando-se principalmente no modelo pós-industrial, o autor acredita que a máquina industrial e os padrões estabelecidos nesse período são mantidos, apesar do ritmo e mudança de comportamento das pessoas. Para ele, os trabalhos e os trabalhadores são diferentes, porém o modelo organizacional aplicado continua o mesmo.

Dentro desses modelos, De Masi chega ao modelo capitalista, que segundo ele está distante de ser um modelo ideal, pois promove o consumo excessivo, que está diretamente ligado ao trabalho excessivo. Esse trabalho excessivo acaba por interferir em diferentes níveis emocionais das pessoas, trazendo infelicidade e insatisfação, apesar dos bens adquiridos.

É nesse cenário que De Masi observa o modelo brasileiro como promissor, no qual, por conta de sua diversidade e riqueza cultural, destaca-se dos outros países, uma vez que a convivência harmoniosa entre seu povo miscigenado e a relação pacífica do Brasil com o restante do mundo são diferenciais e fundamentais para o estabelecimento desse novo modelo. Em um mundo onde ainda se travam lutas raciais e intolerâncias, o Brasil destaca-se por tentar conciliar essas diferenças.

Defensor da criatividade promovida pelo ócio criativo, por ele definido como o resultado do trabalho, aprendizagem e diversão, afirma que a sociedade hoje é muito mais intelectual e criativa, e que a satisfação e o sentimento de realização estão intrinsecamente ligados a atividades que promovam o ócio criativo.

No seu ponto de vista, a sociedade, salvo os jovens, ainda comporta-se como nos anos 60, e apesar das grandes organizações produzirem o futuro, continuam organizadas como antigamente.

Para De Masi, em uma sociedade que visa a produção de ideias, não existe trabalho nem horário, somente o ócio criativo, onde a produção dessas ideias acontece constantemente e não se adéqua aos padrões e ritmo industrial. Porém, esse ócio criativo não significa “não fazer nada”, mas sim produzir ideias resultantes dessa relação entre trabalho, diversão e aprendizagem.

(*) Aluna do CTCOM-UTFPR.

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