13 de julho é dia da Marcha das Vadias

Ana Flávia Gabardo (*)

 

A Marcha das Vadias Curitiba de 2013 acontece no dia 13 de julho, às 11h, na Praça da Mulher Nua (Praça 19 de Dezembro – centro de Curitiba). A Marcha das Vadias surgiu em 2011, em Toronto, no Canadá, após um policial ter afirmado, durante uma palestra sobre segurança na universidade, que as mulheres deveriam evitar se vestir como “vadias” (sluts) para não serem estupradas.

A frase, extremamente culpabilizadora das vítimas, gerou revolta e assim foi organizada a primeira slutwalk do mundo.

Com grande repercussão, principalmente por causa do nome, diversas outras cidades – também de outros países – organizaram suas manifestações. No Brasil, a primeira Marcha das Vadias aconteceu em São Paulo e, após isso, surgiu em outros estados.

A reivindicação principal do movimento é o fim da culpabilização da vítima em casos de violência. A frase, normalmente repetida por muitxs de nós, quase insconscientemente, carregados e embalados pelo senso comum é: “ela provocou, ela mereceu”.

Temos certeza absolura de que ninguém merece sofrer qualquer tipo de violência. Nenhuma mulher deve ser culpabilizada pela violência sofrida, seja ela um estupro ou um ato de violência simbólica. Nenhuma mulher “provoca” um estupro, esteja ela de minissaia ou de calça jeans. Nenhuma mulher deve se envergonhar de sofrer uma violência machista, seja em qualquer âmbito da sociedade.

Lutamos também pelo fim violência de gênero – principalmente a violência contra as mulhres cis e trans*. Lutamos contra a opressão patriarcal, contra a heteronormatividade, lutamos pelo fim da violência doméstica e de todas as formas de violência (simbólica, psicológica, institucional, física, moral) contra mulheres, sejam elas cisgêneras ou trans*.

Reivindicamos o direito à autonomia do próprio corpo, o corpo marginalizado, violentado, estereotipado. Reivindicamos direitos sexuais e reprodutivos, como a legalização e descriminalização do aborto, a educação sexual de qualidade desde o ensino básico, o empoderamento da mulher e de suas relações com o próprio prazer e sexualidade. Reivindicamos que a população LGBT*, principalmente as mulheres lésbicas, as travestis e as mulheres trans*, parem de sofrer violência e morrer nas mãos do Estado que é omisso e que nos deixa à marcê da crueldade de uma bancada evangélico-cristã no país.

Nossas pautas são também a luta contra o racismo, a homofobia, a transfobia, a lesbofobia, contra o capitalismo e a favor do estado laico e com elas, buscamos resgatar direitos negados às mulheres por anos e anos de opressão.

 

Mas e o nome “Vadias”?

O nome, reapropriado, vem para ironizar as ofensas que diversas mulheres, cis e trans* recebem todos os dias. Somos chamadas de vadias se usamos roupas curtas, se nos relacionamos com quem ou quantas pessoas queremos, se dizemos não para um assédio, se somos ousadas, se dançamos ou bebemos. A mulher, historicamente, sempre teve seu corpo e ações controlados e criminalizados, seja pelo Estado, pela religião ou por questões morais.

Sempre existiu um dedo para ser apontado para o comportamento de uma mulher, seja ele qual for. A mulher que escolhe viver a maternidade será julgada se não o fizer no padrão que a sociedade estipula ser o correto. A que escolhe não viver, será julgada automaticamente por essa escolha. A que escolhe se relacionar mais de uma pessoa ao mesmo tempo – ou com nenhuma – será julgada. Somos, diariamente, etiquetadas como “santas” ou “putas”, independente do motivo. Somos rotuladas, criminalizadas, controladas. Então, se viver independentemente, romper com padrões, se ser empoderada e se ser livre é ser vadia, somos todas vadias.

A Marcha das Vadias é um movimento feminista, que, embora receba muitas criticas – sendo considerado um movimento elitista, branco, classe média e cis, tem lutado para conseguir espaço e visibilidade, e, principalmente, para se tornar um movimento plural e inclusivo (inclusivo com as mulheres negras, indígenas, pobres, com as mulheres da periferia, as prostitutas, as mulheres trans*, mulheres fora do padrão de beleza eurocêntrico – todas, de algum modo, marginalizadas, seja por questões raciais e/ou socioeconomicas, além da questão de gênero).

A luta pelo empoderamento individual e coletivo é uma luta diária. A Marcha não se constrói e existe somente uma vez por ano. A Marcha reúne diversas mulheres e homens, cis e trans*, interessadxs em lutar por um mundo de igualdade e respeito, por um mundo onde a violência de gênero seja uma coisa superada. A Marcha acontece uma vez por ano, mas o movimento feminista está acordado o ano todo, lutando por suas pautas, disputando poder na política, nas ruas, nas conferências, nas universidades, nos partidos, nos sindicatos e em diversos outros lugares. Então, se você se identifica com qualquer questão, sinta-se convidadx a contribuir, aprender e trocar experiências dentro do feminismo.

 

(*) Aluna do CTCOM-UTFPR.

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