Velhos Guris alegram Lar dos Idosos Recanto do Tarumã

 
Denis Carneiro, Estéfano Lessa e Pedro Da Ré (*)
Para quem pensa que a vida em um lar de idosos é monótona e se resume a esperar o tempo passar, ledo engano. O Lar dos Idosos Recanto do Tarumã traz aos seus moradores novas oportunidades – talvez aquelas com que sempre sonharam.

Uma experiência que tem animado os moradores do Lar é um projeto musical desenvolvido pela equipe da instituição. A ideia foi recuperar e dar novo sentido à vida de muitos idosos, mas o caminho escolhido pela musicoterapeuta Claudimara Zanchetta foi além e criou um novo ritmo para o Recanto.

Em 2004, o grupo de samba inicialmente composto por quatro integrantes gravou seu primeiro CD. Em 2011 lançou seu segundo álbum graças a um prêmio de R$ 20 mil recebido em uma das apresentações do grupo que, além de shows, já participou de programas de TV.

O objetivo da iniciativa é mostrar aos idosos que a maturidade é apenas mais uma fase da vida que traz também inúmeras possibilidades para aproveitar os momentos – no caso, com muita história para contar e cantar.

Vidas transformadas

Tuca do Pandeiro é um dos Velhos Guris

Tuca do Pandeiro é um dos Velhos Guris

Seu Odamir Bartholomeu, 80 anos, é vocalista e também idealizador do grupo. Conta que, aos oitos anos, sem dinheiro para comprar o ingresso das apresentações, pediu para trabalhar no Circo Belarmino & Gabriela, onde começou vendendo balas. Quando a trupe foi embora do bairro Portão, pediu para ir junto e a mãe permitiu.

Em suas próprias palavras, nunca mais largou a vida artística. Aos 18 anos prestou o serviço militar, fez curso de eletrônica por correspondência, mas a boemia falou mais alto. Ficou conhecido como Tuca do Pandeiro, fazia bicos como técnico eletrônico consertando os equipamentos das bandas. O samba sempre foi a sua cachaça.

Seu Tuca teve uma filha, fruto de um casamento que não deu certo. Depois de muitos anos sem contato, a filha o reencontrou quando viu uma matéria na televisão sobre os Velhos Guris do Asilo.

Ficou feliz porque a filha não guardou mágoas, convive com ela e com os netos, mas não pretende morar com eles. Para Tuca, o Lar oferece tudo o que ele precisa: “Não vejo motivos para sair daqui. Sou bem tratado, ajudo meus colegas como posso e tenho meus amigos sempre por perto – o que mais poderia pedir?”.

 

José Ferreira da Costa, 74 anos

Seu José conta que nasceu em Minas Gerais. Quando tinha oito anos, já trabalhava. Seu pai o acordava à uma da manhã para girar a roda no engenho de cana e, ainda na roça, passou pelo interior de São Paulo e correu o trecho no norte do Paraná.

O vaidoso Seu José descobriu no samba mais uma razão para viver

O vaidoso Seu José descobriu no samba mais uma razão para viver

Em Curitiba foi fotógrafo de praça, andava com duas câmeras e um cavalinho. Segundo ele, a atividade não deu certo porque tinha que andar muito de ônibus. Passou a vender maçãs na rua  e com as frutas importadas ganhou seu pão por vários anos. Morou em hotéis e pensões no centro, chegou a casar, mas não deu muito certo.

Ficou doente, colocou três pontes de safena, quase 30 dias no hospital. Seu José diz que agora está tudo bem, toma os remédios e sente-se cuidado no asilo. Ele é um dos Velhos Guris, toca ganzá, vive há dez anos no Asilo Recanto do Tarumã. “Com a música a gente se distrai um pouco, fica feliz um pouco.”

História do Lar

Fundada em 21 de setembro de 1921 por um grupo de pessoas sensibilizadas com a pobreza da época, a associação civil Socorro aos Necessitados  é a mantenedora do Lar dos Idosos Recanto do Tarumã e também do Centro Dia, na mesma sede.

Desde 1967 em funcionamento, o Lar é responsável hoje pelo atendimento de 107 idosos e, em 2002 e 2005, recebeu o Prêmio Bem Eficiente, que reconhece as 50 melhores entidades filantrópicas brasileiras.

Os mais de 100 funcionários da casa dividem-se entre as inúmeras tarefas diárias e contam com a ajuda de voluntários para cuidar dos idosos geralmente encaminhados pela Fundação de Ação Social (FAS) e pela Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social.

Essencial para a manutenção do Lar, a equipe multidisciplinar é composta por profissionais altamente capacitados, como psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, musicoterapeutas, médicos, nutricionistas, enfermeiros e muitos outros.

A coordenadora do Lar dos Idosos, Fabiana Espinola, afirma que o que a move é a paixão pelo trabalho. “Gosto do que faço e é o que me motiva, por isso procurei também uma formação na área, a gerontologia – um conjunto de estudos que analisam e promovem a qualidade de vida e bem-estar no envelhecer”, diz.

Saiba mais e ajude o Lar dos Idosos Recanto do Tarumã

(*) Alunos do quarto período do CTCOM-UTFPR.

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