Assassinato nas Mercês reforça a necessidade de mais ações para combater violência contra a mulher

Letícia Sayuri Kumegawa (*)

No início da semana passada, os moradores do bairro Mercês se depararam com uma triste notícia: uma conhecida empresária da região foi encontrada morta, com um tiro na nuca, em Campo Magro. O crime ocorreu no domingo, dia 17, logo após a invasão e assalto ao estabelecimento de Bernadete Dolores Dulla Zella, uma confeitaria localizada na Avenida Manoel Ribas.

O corpo de Bernadete foi encontrado em uma estrada rural de Campo Magro. O sequestro ocorreu na tarde de domingo, durante o expediente da confeitaria. Dois homens encapuzados invadiram o estabelecimento, renderam a empresária e a sequestraram.

A princípio, chegou-se a suspeitar que se tratava de um crime passional, porém, Bernadete já havia sido sequestrada anteriormente, embora não tenha registrado Boletim de Ocorrência. A Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba apresentou um fato que surpreendeu a população: o ex-marido, João Carlos Soczek, é o principal acusado de ter sequestrado, algemado e atirado contra Bernadete.

Soczek foi casado com a empresária até 2011, e o casal tinha três filhos. Após o divórcio, permaneceu como sócio da confeitaria. Bernadete era bem quista pela vizinhança, que ainda está em choque pela morte da empresária.

“Queremos justiça, Bernadete não fazia mal a ninguém”, diz Y.S., que pediu para não ser identificado.

Diante de notícias assim, percebe-se que este é mais um episódio em que uma mulher é assassinada por um companheiro ou ex-companheiro. É mais um dos infindáveis casos de violência contra a mulher por um motivo fútil.

Claro, há mulheres que matam e que são criminosas, porque desvio de caráter não escolhe gênero. Mas é preciso chamar a atenção para casos específicos como esse, como o de Mércia Nakashima e Eliza Samúdio, que assim como Bernadete tiveram suas vidas interrompidas por seus ex-companheiros.

Até quando a violência contra a mulher vai se limitar apenas a Lei Maria da Penha (que já foi e é um grande passo para as políticas de combate à violência contra a mulher? A Lei ampara legalmente a mulher que sofre qualquer tipo de ameaça ou agressão, mas ainda falta muito para que ela seja efetivamente cumprida.

Há quem diga que Mércia, Bernadete e Eliza foram responsáveis pelo seu destino. Isso é apenas a responsabilização da vítima pelo crime, o que é inaceitável e um dos principais motivos para que esse tipo de crime, ainda aconteça com tanta frequência.

Ainda faltam recursos para aprimorar programas de proteção à mulher, de forma que a proteção não fique apenas fundamentada em uma Lei que funciona, mas não como deveria, pois há um grande abismo entre o Poder Judiciário e o cotidiano das Bernadetes, Mércias, Elizas e tantas outras que sofrem e sofreram na mão de seus companheiros e ex-companheiros.

(*) Aluna do quarto período do CTCOM-UTFPR.

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